A Syngenta Group, empresa suíça do setor de sementes e agroquímicos sediada em Basileia, apresentou confidencialmente um pedido de oferta pública inicial (IPO) em Hong Kong e quer levantar ao menos US$ 5 bilhões, segundo três pessoas com conhecimento direto do assunto. A companhia é controlada pela estatal chinesa Sinochem.
O que se sabe até agora:
- A Syngenta espera lançar a oferta no final deste ano ou, caso contrário, no início de 2027, segundo duas das fontes.
- Dependendo da resposta do mercado, o tamanho da oferta poderia chegar a US$ 10 bilhões.
- Com esse valor, seria a maior oferta pública inicial de Hong Kong desde 2010, segundo dados da LSEG.
- Prazo exato, tamanho da oferta e avaliação da empresa ainda não foram definidos.
A Bloomberg News noticiou o pedido primeiro, na terça-feira, informando que a empresa considera levantar cerca de US$ 5 bilhões.
Por que esse IPO importa para Hong Kong
O mercado de IPOs de Hong Kong está em expansão. Ofertas públicas iniciais e listagens secundárias arrecadaram US$ 45,8 bilhões até agora neste ano, contra US$ 24 bilhões no mesmo período do ano passado, segundo a LSEG. Uma listagem do porte da Syngenta testaria o apetite dos investidores por uma empresa cuja proprietária, a Sinochem, pagou US$ 43 bilhões para torná-la privada em 2017 e ainda não conseguiu alinhar esse investimento a uma avaliação do mercado público.
O sucesso daria a Hong Kong uma de suas principais transações do ano e à Syngenta uma forma de começar a quitar parte de suas dívidas, além de investir em novos produtos de proteção de culturas e sementes.
O que a Syngenta espera do mercado agrícola
A empresa espera que o mercado agrícola global melhore no próximo ano, especialmente se houver uma resolução no conflito com o Irã que alivie a escassez de gás natural usado na fabricação de fertilizantes, tornando os produtos mais baratos para os agricultores, disse uma pessoa a par do assunto.
A companhia também quer aproveitar o mercado de ações em alta de Hong Kong antes que ele esfrie, acrescentou a fonte. O recém-nomeado presidente-executivo Hengde Qin, de nacionalidade chinesa, é visto como alguém capaz de conduzir os diversos processos de aprovação.
Do meu lado, cético por formação, o ponto que merece atenção é o mesmo que aparece em qualquer operação de capital aberto: pedido confidencial não é garantia de listagem. Prazo, tamanho e avaliação seguem em aberto, e o mercado de Hong Kong pode esfriar antes da estreia. Quem acompanha o setor sabe que a diferença entre um anúncio e um preço final costuma ser grande.