O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta terça-feira (15) que as recompras de títulos de dívida de longo prazo foram bem-sucedidas, contrariando a percepção do mercado. A declaração foi dada em audiência no Congresso, no mesmo dia em que o rendimento do título de 10 anos atingiu 5,041%, o maior nível desde meados de 2007.
Bessent sustenta que a operação funcionou. Segundo ele, o Tesouro realizou "os dois leilões de títulos do Tesouro mais bem-sucedidos que tivemos nos últimos 20 anos". O secretário também afirmou que, desde a posse do presidente Trump, o mercado de títulos dos EUA tem sido "o mercado de títulos com melhor desempenho no mundo desenvolvido".
O título de 10 anos é referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito. O rendimento de 5,041% ultrapassou o pico de 2023 alcançado na véspera e opera no maior valor desde meados de 2007.
Na última quinta-feira (10), o Tesouro recomprou US$ 6 bilhões em títulos de 10 e 20 anos, o triplo do montante habitual, e anunciou operações futuras de pelo menos US$ 4 bilhões. A operação entrou em vigor no dia 10 e deve se estender até 4 de novembro.
Bessent defende que a medida injeta liquidez e combate a alta dos rendimentos, que elevam o custo do serviço da dívida para o governo. Para o ING, o secretário parece disposto a deixar uma forte queda nos preços dos títulos, e alta nos rendimentos, impulsionada em grande parte pelo petróleo, "seguir seu curso", talvez contando com a provável alta de juros do Fed nesta semana para evitar que as expectativas de inflação saiam de controle.
O contraste entre o discurso oficial e o comportamento do mercado chama atenção. Enquanto Bessent fala em sucesso, os rendimentos seguem em níveis recordes mesmo após a maior recompra da história. A leitura do ING sugere que o secretário pode estar apostando na alta do Fed como âncora para as expectativas de inflação, em vez de intervir diretamente para conter os rendimentos.
o que é o título de 10 anos dos EUA e por que ele afeta o Brasil