A Renault Geely ampliou em R$ 2 bilhões o ciclo de investimentos no Brasil. Com o reforço, o total previsto pela parceria chega a R$ 5,8 bilhões até 2027. O anúncio foi feito nesta terça-feira, 15, em evento com executivos globais das duas montadoras e com o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior.
Os novos recursos vão para a produção, a partir do ano que vem, de um novo modelo eletrificado da marca Renault, montado sobre a plataforma da Geely no complexo da montadora francesa em São José dos Pinhais, no Paraná.
O movimento não começa do zero. A joint venture entre as duas empresas foi assinada em novembro, quando a Geely assumiu 26,4% de participação na Renault do Brasil. Dessa parceria já saíram dois frutos concretos: o EX5, utilitário esportivo híbrido da Geely, começou a ser produzido neste mês na fábrica paranaense, com lançamento previsto antes do fim do ano. E o EX2, hatch 100% elétrico da Geely, começa a ser montado na plataforma em dezembro, conforme confirmou a montadora.
O que a plataforma da Geely muda na fábrica do Paraná
Com a implementação industrial da plataforma da Geely, o complexo paranaense ganhou flexibilidade para produzir desde os tradicionais carros a gasolina e a etanol até veículos híbridos, híbridos flex e totalmente elétricos. É a mesma linha adaptando-se a motorizações diferentes, sem exigir uma fábrica nova para cada tipo de veículo.
Para Fabrice Cambolive, CEO da marca Renault e presidente do conselho da Renault Geely do Brasil, a parceria acelera a chegada de eletrificados ao país. "Por meio de uma parceria ganha-ganha, estamos acelerando a chegada de veículos eletrificados, competitivos e acessíveis, feitos para os clientes brasileiros, além de reforçar as ambições de crescimento internacional da Renault", afirmou.
Os bastidores da parceria: velocidade e custo
Antes do anúncio, em entrevista coletiva, Cambolive comparou o cenário atual com o de dez anos atrás, quando presidiu a operação da Renault no Brasil em meio à crise política e econômica. Em sua leitura, o país hoje tem maior estabilidade econômica, mas enfrenta um mercado mais disputado, dada a entrada das marcas chinesas.
"Um dos principais pontos da nossa parceria é sempre ganhar velocidade e ganhar em custo. Achamos que isso vai nos permitir ser ainda mais acessíveis do que antes", disse o executivo.
A parceria também serve à estratégia da Geely. Victor Yang, vice-presidente sênior do Geely Holding Group, explicou que o acordo se insere no plano da montadora chinesa de entrar mais rápido em novos mercados, apoiando-se na expertise local e nos fornecedores do parceiro.
"O mercado brasileiro e o mercado latino-americano são estrategicamente importantes para o grupo. Já estávamos aqui há mais de uma década, mas, trabalhando em conjunto com a Renault, encontramos a abordagem certa para trazer nossos produtos, nossa tecnologia e também nossas marcas", comentou Yang.
Cambolive também observou que a Renault faz parcerias em mercados internacionais para acelerar crescimento e reduzir custos em regiões de alto potencial, como América do Sul e Ásia, em especial a Índia. investimentos da indústria automotiva no Brasil