O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em sabatina à Record, que a independência do Banco Central (BC) não resolveu os problemas econômicos. Segundo ele, o que resolve é o presidente da República eleito ter poder de interferir na economia, algo que, na avaliação do petista, não existe mais.
Lula defendeu que não deve ser questionado sobre resultados fiscais com base nos primeiros mandatos. Afirmou que continuará tendo responsabilidade fiscal e que, se as contas ficarem desequilibradas, quem perde é o povo pobre. Em um eventual quarto mandato, disse que pretende reduzir a inflação enquanto gera empregos e promove redistribuição de renda, com aumento do salário mínimo acima da inflação.
Sobre cartões de crédito, o presidente classificou-os como "coisas criminosas" por incentivarem o endividamento. Citou que 80% dos brasileiros estão endividados e 29% inadimplentes, e defendeu orientação sobre educação financeira para que as pessoas não gastem mais do que ganham. O endividamento é uma das preocupações da campanha à reeleição, e no início do ano o governo lançou nova fase do Desenrola Brasil.
Lula anunciou que vai apresentar nesta sexta-feira (18) um plano de segurança para o Rio de Janeiro, com cooperação entre governo federal, estadual e prefeitura. Questionado sobre não chamar facções como PCC e Comando Vermelho de terroristas, discordou e disse que as chama de terroristas para o povo brasileiro, diferenciando do terrorismo de Estado citado por Trump. Afirmou que a participação da União na segurança é ínfima pela Constituição de 1988, mas citou a prisão do mandante do assassinato de Marielle Franco como exemplo da atuação da Polícia Federal.
O presidente voltou a prometer a criação do Ministério da Segurança Pública caso a PEC da segurança seja aprovada. Brincou que o Ministério da Fazenda "vai ter que se preparar" para garantir recursos. Na saúde, disse que o governo anterior teve "ministros da Saúde mequetrefes" e que o setor foi abandonado, citando aumento de 12 mil para 28 mil médicos. Prometeu universalizar o Pé-de-Meia e retomar o Ciências sem Fronteiras.