CEO da Ford prevê 'invasão' de montadoras chinesas nos EUA em até dez anos
O CEO da Ford, Jim Farley, afirmou a funcionários que a montadora trabalha com a possibilidade de fabricantes chinesas de automóveis entrarem no mercado americano em até dez anos. A declaração foi feita durante uma reunião interna na quinta-feira, 30, segundo três pessoas que acompanharam o encontro e relataram o conteúdo à Reuters.
A avaliação contrasta com a política comercial dos Estados Unidos, que hoje impõe tarifas de cerca de 100% sobre veículos elétricos produzidos na China, além de restrições ao uso de softwares e componentes chineses em carros vendidos no país. Ainda assim, Farley indicou que a Ford considera inevitável uma maior presença das montadoras asiáticas no longo prazo.
Por que a Ford muda o discurso agora?
Farley é um dos principais executivos da indústria a alertar para o avanço das fabricantes chinesas. Nos últimos anos, o CEO tem citado repetidamente empresas como a BYD como referência em custos, velocidade de desenvolvimento e eficiência produtiva.
A resposta da Ford passa pelo desenvolvimento de uma nova plataforma de veículos elétricos de baixo custo, desenhada para competir diretamente com os modelos chineses em preço e rentabilidade.
As declarações também acontecem em meio ao debate no Congresso americano sobre a ampliação das restrições às montadoras chinesas, reforçando a preocupação de Washington com o avanço da indústria automotiva do país asiático.
O que já mudou fora dos EUA
Embora as fabricantes chinesas ainda não tenham presença relevante no mercado americano, elas vêm ampliando participação em outros mercados importantes para a Ford.
No México, marcas chinesas ganharam espaço nos últimos anos. No Canadá, acordos comerciais permitem a venda de um volume limitado de veículos elétricos produzidos na China. Analistas do setor consideram o mercado canadense uma porta de entrada para avaliar a receptividade dos consumidores americanos.
Na Europa, a Ford anunciou recentemente uma joint venture com a Geely para fortalecer sua posição na região. A parceria foi alvo de críticas de parlamentares dos Estados Unidos, mas a montadora argumenta que o crescimento das fabricantes chinesas exige que as empresas tradicionais se tornem mais eficientes para manter a competitividade.
No início do mês, o presidente do conselho da Ford, Bill Ford, resumiu a estratégia da empresa ao afirmar que os Estados Unidos não conseguirão impedir indefinidamente o avanço das montadoras chinesas e que o desafio será competir em igualdade de condições.
E o Brasil nessa história?
No Brasil, a Ford já vive uma realidade diferente da dos Estados Unidos. Desde o fechamento de suas fábricas em 2021, a montadora deixou de produzir veículos no país e passou a operar com um portfólio baseado em modelos importados, como a Ranger, produzida na Argentina, além da Maverick, Bronco Sport, Mustang, F-150 e Transit. A empresa também manteve em funcionamento seu centro de desenvolvimento em Camaçari (BA), voltado à engenharia e ao desenvolvimento de tecnologias para projetos globais.
O mercado brasileiro, por sua vez, tornou-se um dos principais destinos da expansão das montadoras chinesas na América Latina. Marcas como BYD, que assumiu a antiga fábrica da Ford na Bahia, e GWM ampliaram investimentos no país e vêm ganhando participação em segmentos como veículos elétricos e híbridos.
Perguntas Frequentes
Quando as montadoras chinesas devem entrar nos EUA?
Segundo Jim Farley, a Ford trabalha com a possibilidade de entrada entre cinco e dez anos, apesar das barreiras comerciais impostas pelos EUA.
Quais barreiras os EUA impõem aos carros chineses?
Tarifas de cerca de 100% sobre veículos elétricos produzidos na China, além de restrições ao uso de softwares e componentes chineses em carros vendidos no país.
O que a Ford planeja para competir com as chinesas?
Desenvolver uma nova plataforma de veículos elétricos de baixo custo, desenhada para competir diretamente em preço e rentabilidade.
A Ford ainda produz carros no Brasil?
Não. Desde 2021, a Ford fechou suas fábricas no país e passou a operar com modelos importados, mantendo o centro de desenvolvimento em Camaçari (BA).
Qual a posição da BYD no Brasil?
A BYD assumiu a antiga fábrica da Ford na Bahia e, junto com a GWM, ampliou investimentos no país, ganhando participação em veículos elétricos e híbridos.