A crise bancária no Paraguai ganhou contornos políticos nesta quarta-feira (4), com parlamentares da oposição apresentando um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña. A medida foi motivada pela intervenção no banco digital Ueno, que resultou na indisponibilidade de acesso aos recursos de milhares de clientes.
O pedido, protocolado na Câmara dos Deputados, lista 35 assinaturas e solicita uma sessão extraordinária para debater a acusação. A oposição aponta Peña, que assumiu o governo em 2023, como responsável por conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional. A deputada Rocío Vallejo destacou o impacto em 3 milhões de pessoas, afirmando que o presidente seria a "origem desse monstro que criou".
O Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, fechou as portas após o Banco Central constatar um déficit em seus índices de solvência, relacionado a empréstimos a empresas vinculadas. A instituição possuía cerca de 3 milhões de clientes e administrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo fundos do Instituto de Previdência Social.
Em resposta à crise, Santiago Peña publicou no X que os responsáveis pelas irregularidades serão levados à Justiça. Ele também promulgou uma lei para agilizar a recuperação do dinheiro pelos poupadores do Ueno, pedindo que o interesse dos afetados prevaleça sobre outros.
O caso já resultou na demissão do presidente da entidade controladora, Carlos Carvallo, e na prisão de oito diretores do Ueno, incluindo o presidente-executivo Miguel Vázquez. A Procuradoria emitiu mandados de prisão e acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco, com bloqueio de bens ordenado pela Justiça. Relatos de falhas em aplicativos bancários aumentaram a apreensão no país, embora a Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) assegure que o sistema financeiro opera normalmente e está atendendo à demanda de clientes que migram do Ueno.
A continuidade do processo de impeachment na Câmara dos Deputados depende de uma maioria qualificada de dois terços, e ainda não há clareza sobre o apoio da bancada governista à proposta. O presidente Peña não se pronunciou publicamente sobre a iniciativa de destituição.