A Associação Brasileira de Montadoras de Veículos (Anfavea) ajustou suas estimativas para o setor automotivo em 2026, apresentando um cenário de otimismo para o mercado interno e cautela nas operações de exportação.
O setor agora projeta um crescimento de 15,2% nos licenciamentos de veículos em 2026, alcançando 3,099 milhões de unidades. Esta revisão representa um aumento significativo em relação à estimativa inicial de 2,7% e à revisão de 12,1% feita em junho. Caso a previsão se concretize, o volume de vendas será o maior registrado desde 2014, segundo dados da Anfavea.
Até setembro deste ano, as vendas de veículos novos no Brasil registraram um aumento de 18,1%, totalizando 2,26 milhões de unidades. Deste montante, 434 mil veículos são eletrificados, sendo 262 mil importados. A expectativa para veículos leves é de expansão de 16,4% em 2026, totalizando 2,97 milhões de unidades. Em contrapartida, a projeção de queda para veículos pesados (caminhões e ônibus) foi ampliada de 6% para 6,5%, prevendo 128,5 mil unidades.
"O crescimento do mercado brasileiro em 2026 tem sido derivado dos eletrificados e do programa Carro Sustentável (do governo federal)", declarou Igor Calvet, presidente da Anfavea, a jornalistas. O programa de incentivos tributários foi responsável pelo emplacamento de 374 mil veículos até setembro.
A projeção de produção de veículos no Brasil para 2026 foi elevada para um crescimento de 6,7%, totalizando 2,82 milhões de unidades, o melhor resultado desde 2019. No entanto, a Anfavea ressalta que este volume está aquém do potencial da demanda interna, sendo impactado pela queda nas exportações.
A entidade espera uma retração de 17,7% nas vendas externas de veículos em 2026, com um volume de 435 mil unidades. Esta previsão é inferior à estimativa de junho, que previa uma queda de 12,8%. A redução é atribuída à retração do mercado argentino e à maior presença de veículos chineses na América do Sul, principais destinos dos produtos brasileiros.
"Sem dúvida, em 2027, um dos trabalhos da Anfavea terá que ser acesso a mercados, com novos acordos (comerciais), recuperação de acordos que já tínhamos, numa ação muito mais ativa de comércio exterior", afirmou Calvet. As exportações para a Argentina caíram 37,7% no acumulado do ano até setembro, enquanto o mercado vizinho encolheu 13%. As vendas para o México diminuíram 3,8%, apesar do mercado mexicano ter crescido 5% no período. Em contraste, a China aumentou suas vendas ao Brasil em 106,4% no acumulado do ano até setembro, totalizando 254,9 mil veículos importados.
Em setembro, a produção de veículos no Brasil apresentou queda de 1,1% em relação a agosto, enquanto as vendas de novos subiram 2,3%. Na comparação anual, a produção em setembro cresceu 10,2%, somando 268,3 mil unidades. No acumulado do ano, a expansão na produção foi de 8,7%, chegando a 2,17 milhões de veículos. Os licenciamentos em setembro tiveram alta de 15,7% em relação ao ano anterior, com 281,4 mil unidades, elevando a expansão anual nas vendas para 18,1%, totalizando 2,26 milhões de unidades. As exportações em setembro caíram 24,2% anualmente, para 39,8 mil veículos, enquanto as importações dispararam 34,9%, atingindo 57.196 unidades.