A XP Investimentos elevou em 12% suas projeções de lucro para o Fleury (FLRY3) para 2026 e 2027, após uma sequência de resultados considerados acima das expectativas. A corretora agora estima lucro líquido de R$ 810 milhões em 2026 e de R$ 884 milhões em 2027.
Na avaliação da XP, o desempenho recente deixou de parecer apenas um movimento pontual e passou a indicar uma melhora mais estrutural na operação da companhia. Como resultado, os analistas elevaram o preço-alvo da ação para R$ 20 ao fim de 2027, ante R$ 18 anteriormente. Ainda assim, a nova precificação implica potencial de desvalorização de 1,7%, e a recomendação para Fleury segue neutra. A ação, porém, é uma das top picks do segmento de saúde da XP, dividindo o pódio com Rede D'Or (RDOR3) e Dasa (DASA3). Por volta das 12h38 (horário de Brasília), Fleury subia 3,10% (R$ 20,98).
O que sustenta a tese da XP
O principal fator por trás da revisão é a percepção de que o Fleury tem conseguido acelerar seu crescimento sem depender apenas de aquisições. Segundo a corretora, a companhia vem apresentando utilização mais eficiente de sua estrutura operacional, com maior aproveitamento da capacidade instalada.
A XP também destaca um cenário favorável para a saúde suplementar: o número de beneficiários de planos de saúde continua crescendo no Brasil, o que amplia a demanda por exames e serviços diagnósticos, principal área de atuação do Fleury.
Outro ponto citado no relatório é a incorporação da Femme, rede especializada em medicina diagnóstica voltada ao público feminino. A expectativa é que a empresa adquirida passe a contribuir com cerca de R$ 100 milhões por trimestre em receitas, ajudando a impulsionar o crescimento consolidado do grupo já nos próximos resultados.
Receita sobe, margem sente o impacto
Combinando o desempenho orgânico do Fleury com a entrada da Femme, a XP projeta alta de 14,6% na receita total da companhia, com crescimento orgânico de cerca de 11% na comparação anual.
Embora a aquisição aumente as receitas, a Femme opera com margens inferiores às do Fleury. Por isso, a XP espera pressão temporária sobre a rentabilidade. A corretora estima que a margem Ebitda recue cerca de 70 pontos-base no terceiro trimestre de 2026, ficando em 26,5%. Na prática, a integração da nova operação pode reduzir momentaneamente a eficiência financeira do grupo. Ainda assim, os analistas enxergam esse efeito como administrável diante do potencial de crescimento trazido pela aquisição.
Para quem investe com horizonte de vida, a leitura é a mesma que aplicamos a qualquer decisão de longo prazo: separar o ruído trimestral da trajetória estrutural. Uma margem que cede 70 pontos-base em um trimestre não define o resultado de uma década, mas a capacidade de crescer sem depender só de compras, sim. É esse tipo de sinal que costuma importar mais para a carteira de quem planeja aposentadoria e sucessão do que o preço-alvo de um único relatório.