A gestora BlackRock voltou a recomendar uma posição overweight, equivalente à compra, em ações de mercados emergentes. A decisão reforça a estratégia de maior exposição ao risco mesmo com juros globais mais elevados.
Em resumo: a BlackRock recomenda compra de ações de mercados emergentes. Os argumentos são a ligação desses países com a cadeia global de inteligência artificial, a projeção de lucro por ação mais de 34% maior em 12 meses e o desconto de cerca de 50% em relação às ações americanas.
Segundo a gestora, a alta dos juros ao redor do mundo elevou a exigência de retorno dos investidores, mas não elimina oportunidades em renda variável quando os lucros das empresas seguem crescendo.
"Continuamos favoráveis ao risco apesar dos juros mais altos. Fundamentos sólidos e a escassez associada à inteligência artificial sustentam nossa posição acima da média em ações dos Estados Unidos e nosso retorno para uma posição acima da média em mercados emergentes", afirma a equipe da BlackRock liderada pela estrategista-chefe global de investimentos, Wei Li.
Por que a BlackRock voltou aos emergentes
O argumento central é a conexão dos emergentes com a cadeia global de IA. A gestora afirma que esses mercados oferecem diferentes formas de capturar o crescimento do setor.
"A escassez relacionada à inteligência artificial é um dos elementos que conectam diferentes mercados emergentes. Coreia do Sul e Taiwan estão no centro das cadeias de semicondutores, enquanto a América Latina oferece acesso aos recursos e à infraestrutura necessários para a expansão da IA", afirma.
A BlackRock destaca ainda a combinação entre crescimento dos resultados e preços mais descontados. As projeções de consenso apontam que o lucro por ação das empresas do índice MSCI Emerging Markets deve crescer mais de 34% nos próximos 12 meses, contra aproximadamente 20% do MSCI USA.
Mesmo assim, as ações emergentes são negociadas a cerca de 10 vezes o lucro projetado, enquanto as americanas operam perto de 20 vezes.
"As ações de mercados emergentes negociam com um desconto de aproximadamente 50% em relação às ações americanas, enquanto apresentam expectativas significativamente superiores de crescimento dos lucros", diz a gestora. O múltiplo atual dos emergentes está entre os 10% mais baixos dos últimos 20 anos, segundo o relatório.
O que mudou e o que ainda preocupa
A BlackRock havia reduzido antes sua recomendação para emergentes por causa de preocupações com alavancagem, especialmente na Coreia do Sul. Agora, avalia que parte do processo de desalavancagem já ocorreu, o que reduziu riscos e melhorou o quadro tático.
Sobre o dólar, a gestora ressalta que a tese não depende de desvalorização da moeda americana. "Nossa visão para mercados emergentes não depende de um dólar mais fraco. Consideramos a fraqueza da moeda americana e fluxos mais fortes de capital como fatores adicionais de suporte, e não como a base da tese."
Do lado dos riscos, a BlackRock segue enxergando possíveis impactos econômicos das tensões no Oriente Médio, pressões persistentes sobre os preços da energia, inflação ainda elevada e aumento adicional dos juros de longo prazo nos Estados Unidos.
Sobre a visão da gestora, vale lembrar que recomendação de casa global não é garantia de retorno. como montar reserva de emergência
A próxima ação prática de quem investe: antes de seguir qualquer tese, defina o quanto do seu capital pode ficar exposto a risco e por quanto tempo, sem comprometer o caixa do negócio ou da família.