Santander (SANB11): Louise Barsi critica OPA e revela plano com ação
O Santander (SANB11) anunciou uma OPA (oferta pública de aquisição de ações) que surpreendeu pelo timing, não pelo momento. A oferta é com permuta: os acionistas trocarão ações por BDRs (recibos que representam ações de empresas negociadas no exterior) do Santander Espanha, a serem emitidos no Brasil. O prêmio é de 15%.
Louise Barsi: 'estrangulamento do minoritário'
A acionista Louise Barsi, filha de Luiz Barsi e acionista do banco, criticou a operação em vídeo no Instagram. Ela afirmou que a oferta é "uma clara tentativa de estrangulamento do minoritário". Segundo ela, o investidor "vai se sentir obrigado a vender a ação, já que não tem outra alternativa caso não queira ter BDRs na carteira".
Prêmio menor na prática
Louise destacou que o prêmio de 15% é "muito conveniente para a matriz, que já tinha conhecimento prévio dos resultados da subsidiária brasileira". Se considerada a cotação antes da divulgação do balanço do segundo trimestre, o prêmio cai para perto de 5%.
Nos últimos três anos, as ações do grupo acumularam valorização de quase 280% em dólares, enquanto o Santander Brasil registrou queda acumulada de cerca de 5% no mesmo período. Ela lembra que as ações preferenciais têm vantagem de 10% sobre os dividendos, não considerada na relação de troca.
Risco de liquidez e free float
A oferta pode reduzir o free float (percentual de ações em circulação, excluindo o controlador), que já é pequeno, de aproximadamente 10%. Isso pode deixar o SANB11 com liquidez e relevância ainda menores na bolsa.
O valor justo da ação, antes do balanço do 2º trimestre, girava em torno de R$ 34. Para Louise, o controlador poderia oferecer alternativa em dinheiro compatível com esse consenso.
O que Louise fará com a ação
"Por enquanto, eu já sei o que não vou fazer: não vou converter minhas ações. Vou aguardar o desenrolar dessa história", concluiu.
Detalhes da OPA
Na última quinta, o Santander anunciou oferta pública voluntária para adquirir a fatia remanescente de cerca de 10% do capital do Santander Brasil. A operação, estimada em € 1,9 bilhão (R$ 11 bilhões), será paga em BDRs lastreados em ações da matriz espanhola.
A oferta dividiu opiniões. Analistas veem oportunidade de lucro imediato e exposição ao conglomerado global, com operações em Espanha, Reino Unido, México e Brasil. Gestores alertam para prêmio insuficiente diante do desconto histórico e possíveis perdas de liquidez.
O Santander afirma que não pretende fechar o capital neste momento, mas deixou aberta a possibilidade de futura deslistagem, dependendo da adesão. O movimento lembra a operação de 2014, quando a matriz trocou ações por BDRs e retirou o banco do Nível 2 de Governança da BM&FBovespa.
Para quem acompanha o caso, a recomendação é monitorar o nível de adesão e os próximos comunicados do banco. A liquidez do papel e o prêmio efetivo são os pontos centrais a observar. O que é free float e como afeta suas ações Como funcionam BDRs: guia para iniciantes
Perguntas Frequentes
O que é uma OPA com permuta?
É uma oferta pública em que o pagamento não é em dinheiro, mas em outros ativos, como BDRs. No caso do Santander, os acionistas receberão BDRs do Santander Espanha.
Qual o prêmio da OPA do Santander?
O prêmio é de 15% sobre a cotação, mas cai para cerca de 5% se considerado o preço antes da divulgação do balanço do segundo trimestre.
O que Louise Barsi fará com suas ações?
Ela afirmou que não converterá suas ações e que vai aguardar o desenrolar da operação.
O Santander vai fechar o capital?
O banco afirma que não pretende fechar o capital neste momento, mas não descarta uma futura deslistagem, dependendo do nível de adesão à oferta.