Exclusivo · Investimentos

Ouro avança 4º dia com inflação dos EUA sem surpresas

ResumoO ouro avançou pelo quarto dia consecutivo, impulsionado pela divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, que veio em linha com as expectativas do mercado. A ausência de surpresas inflacionárias reduziu a pressão sobre a política monetária do Federal Reserve, favorecendo o metal precioso como reserva de valor. Investidores reagem ao cenário macroeconômico estável, com impacto direto no planejamento de carteiras diversificadas.

O ouro encerrou em alta pelo 4º dia seguido, com CPI dos EUA dentro do esperado. Entenda o cenário e o impacto para o seu planejamento.

4 min de leituraPRO
Ouro avança 4º dia com inflação dos EUA sem surpresas
Foto: Viva Capital · Ouro avança 4º dia com inflação dos EUA sem surpresas · 12 ago 2026

Ouro avança pelo 4º dia seguido com inflação dos EUA sem surpresas

O ouro encerrou o pregão desta quarta-feira (12) em alta, marcando o quarto dia consecutivo de ganhos. Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o contrato para dezembro avançou 0,59%, a US$ 4.467,50 por onça-troy. A prata para setembro subiu 1,18%, a US$ 65,700 por onça-troy.

O dia foi marcado por dados de inflação nos Estados Unidos dentro do esperado, o que reforçou a visão de que o Federal Reserve (Fed) deve manter as taxas inalteradas na próxima reunião. A leitura derrubou os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, movimento que tende a impulsionar o ouro, já que o metal não rende juros.

O que dizem os números do CPI

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu 0,1% entre junho e julho, segundo dados com ajustes sazonais do Departamento do Trabalho americano. Na comparação anual, o avanço foi de 3,4%. Já o núcleo, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, subiu 0,2% no mês e 2,5% no ano. Todos os resultados vieram em linha com a expectativa de analistas consultados pelo Projeções Broadcast.

Para quem planeja o futuro da família, o dado de inflação é mais do que um número de mercado. Ele sinaliza o ritmo de aperto monetário global, que afeta diretamente a renda fixa e a alocação em ativos reais como o ouro.

Projeções para o ouro: entre US$ 4.500 e US$ 5 mil

"Prevemos que os preços subam acima do patamar de US$ 4.500 por onça-troy, reforçando as perspectivas de uma alta mais expressiva, com o ouro podendo atingir novos recordes até o final do ano", afirma Peter Cardillo, da Spartan Capital Securities. O Bank of America (BofA) espera cotações no nível de US$ 5 mil no meio de 2027.

Em contraponto, o Financial Times reportou que a presidente do Fed de Boston, Susan Collins, sinalizou que pode apoiar uma alta dos juros na próxima reunião, marcada para setembro, caso a inflação continue elevada. "Vejo a possibilidade de que as condições econômicas nos próximos meses exijam uma política mais restritiva, e eu estaria preparada para elevar as taxas nesse contexto", afirmou Collins.

Essa divergência entre a leitura do mercado e a postura de uma dirigente do Fed é o ponto que merece atenção cética. Se os juros subirem, o ouro pode perder fôlego no curto prazo, mesmo com o cenário de longo prazo favorável.

O que isso significa para o investidor brasileiro

Para o investidor brasileiro, o movimento do ouro precisa ser lido à luz da inflação doméstica. O IPCA registrou variação de 0,07% em julho de 2026, segundo o Banco Central, e 0,16% em junho. Em maio, o índice foi de 0,58%. A desaceleração local reduz a urgência de proteção cambial, mas não elimina o papel do ouro como hedge em cenários de estresse global.

Como posicionar o ouro no planejamento de longo prazo

Planejar cedo é o juro mais barato que existe. Para famílias com horizonte acima de 10 anos, o ouro pode compor uma parcela de proteção, entre 5% e 10% da carteira, sem comprometer a rentabilidade. Mas é preciso cautela: o metal não gera fluxo de caixa, e sua volatilidade pode ser alta no curto prazo, como mostram as projeções divergentes entre US$ 4.500 e US$ 5 mil.

Antes de decidir, avalie seu objetivo familiar. Se a meta é preservar poder de compra na aposentadoria, o ouro é um complemento, não a base. A base continua sendo uma alocação diversificada em renda fixa e variável, ajustada ao seu perfil.

Para aprofundar, veja como investir em ouro no Brasil e impacto do Fed na renda fixa.

Perguntas Frequentes

O ouro ainda sobe após 4 dias de ganhos?

Não há garantia. O movimento de alta pode continuar se a inflação dos EUA seguir controlada, mas a possibilidade de alta de juros pelo Fed pode pressionar o metal.

O que é o CPI e por que ele afeta o ouro?

O CPI é o índice de inflação ao consumidor dos EUA. Quando ele vem em linha, o mercado espera juros estáveis, o que derruba os rendimentos dos Treasuries e impulsiona o ouro.

Vale a pena investir em ouro agora?

Depende do seu horizonte. Para proteção de longo prazo, pode fazer sentido. Para ganhos rápidos, o cenário é incerto, com projeções que variam de US$ 4.500 a US$ 5 mil.

O ouro paga juros?

Não. O ouro não rende juros, por isso sua cotação sobe quando os juros caem, e vice-versa.

Qual a diferença entre ouro e prata nos EUA?

Nesta quarta, o ouro subiu 0,59% e a prata 1,18%, ambos na Comex. A prata tende a ser mais volátil, com maior uso industrial.

“O ouro encerrou em alta pelo 4º dia seguido, com CPI dos EUA dentro do esperado. Entenda o cenário e o impacto para o seu planejamento.”
Henrique Salomão · Editor(a) Investimentos · Viva Capital PRO
Viva Capital Daily · Newsletter

O briefing que os CFOs do varejo brasileiro leem antes das 8h.

Análises diárias sobre meios de pagamento, crédito e bancos digitais. Direto na sua caixa, sem ruído. Já lida por mais de 47 mil profissionais do setor.

Você pode cancelar a qualquer momento. Sem spam.