Exclusivo · Investimentos

Construtoras: Direcional, Cury, Tenda, MRV após balanços

ResumoDirecional, Cury, Tenda e MRV apresentaram resultados mistos no 2T26, com vendas em desaceleração, estoques elevados e custo de crédito alto. Direcional, Cury e Tenda se destacam positivamente, enquanto MRV preocupa investidores. O cenário setorial reflete pressão sobre margens e demanda, exigindo cautela na análise de cada empresa.

A temporada de resultados das construtoras no 2T26 trouxe números mistos, com vendas em desaceleração, estoques altos e crédito caro. Direcional, Cury e Tenda se destacam; MRV preocupa. Entenda o cenário.

4 min de leituraPRO
Construtoras: Direcional, Cury, Tenda, MRV após balanços
Foto: Viva Capital · Construtoras: Direcional, Cury, Tenda, MRV após balanços · 12 ago 2026

Direcional, Cury, Tenda, MRV: o que os balanços do 2T26 revelam sobre as construtoras

A temporada de resultados das construtoras referente ao segundo trimestre de 2026 trouxe números mistos, em um cenário de desaceleração das vendas, aumento dos estoques e crédito mais caro. Para Caio Araujo, analista da Empiricus Research, algumas companhias seguem com fundamentos sólidos, e ele destaca Direcional Engenharia (DIRR3), Cury (CURY3) e Tenda (TEND3).

Resposta direta: quais construtoras saem na frente após os balanços do 2T26? Direcional, Cury e Tenda, segundo a Empiricus. A Direcional tem margem próxima de 43% e recompra de até 10% do free float. A Cury mostrou leve avanço da margem bruta e opera sem alavancagem. A Tenda surpreendeu na margem bruta e reduz a alavancagem. A MRV segue pressionada pelo endividamento.

Direcional (DIRR3): resultado saudável, mas margem deve acomodar

Na avaliação de Araujo, a Direcional entregou um resultado saudável, sustentado pelo crescimento da receita, margens elevadas e forte rentabilidade. A margem da companhia permanece próxima de 43%, nível considerado bastante elevado pelo analista. Ele espera uma acomodação desse indicador ao longo de 2026, refletindo rentabilidade mais próxima da normalidade nos novos projetos, mas destaca que a geração de caixa segue robusta.

"Nosso balanço geral sobre a Direcional é que o resultado foi saudável. Não vejo crítica suficiente para uma reação muito contundente no papel", afirmou.

O analista também chama atenção para o programa de recompra de até 10% do free float. Segundo ele, somado aos dividendos, o movimento pode levar a companhia a entregar um dividend yield de até 12% no próximo ano.

Cury (CURY3): trimestre ainda mais positivo, sem alavancagem

Para Araujo, a Cury apresentou um trimestre ainda mais positivo em alguns aspectos. A companhia registrou leve avanço da margem bruta, geração de caixa saudável e margens estáveis, apesar do aumento das despesas comerciais e de impactos pontuais relacionados à Copa do Mundo e a atrasos em projetos.

"Eu vejo menos pontos detratores na Cury", disse o analista. Ele destaca ainda que a empresa opera sem alavancagem e possui um histórico consistente de execução no segmento de baixa renda. Mesmo assim, a preferência da Empiricus permanece com a Direcional, principalmente por uma questão de valuation e pela maior proximidade da casa de análise com a gestão da companhia.

MRV&Co (MRVE3): endividamento exige critério

A situação da MRV&Co é mais desafiadora. Embora a operação de incorporação no Brasil tenha apresentado evolução nas margens e nas vendas, a companhia continua pressionada pelo nível de endividamento. O principal foco de atenção segue sendo a operação nos Estados Unidos, que tem levado a empresa a vender ativos e pode continuar gerando volatilidade para as ações.

"Há um contexto de alavancagem que exige um pouco mais de critério", avaliou Araujo. Segundo o analista, apesar de a MRV negociar a múltiplos inferiores aos de outras empresas do setor, esse desconto deve ser analisado à luz dos riscos financeiros da companhia.

Moura Dubeux e Cyrela: positivas, mas média e alta renda preocupa

Já para Moura Dubeux (MDNE3) e Cyrela (CYRE3), a visão é mais positiva. Araujo acredita que a Moura tem espaço para sustentar crescimento, enquanto a Cyrela pode surpreender na geração de caixa. O principal ponto de atenção, contudo, está no segmento de média e alta renda, especialmente em São Paulo, onde os estoques aumentaram e o ritmo de vendas perdeu força.

Tenda (TEND3): o principal destaque da temporada

Entre as construtoras acompanhadas pela Empiricus, a Tenda foi o principal destaque do trimestre. Segundo Araujo, a companhia surpreendeu positivamente na margem bruta e mantém uma trajetória consistente de redução da alavancagem e fortalecimento da geração de caixa.

"Em termos de reação de mercado, hoje será difícil ver um destaque maior do que a Tenda", afirmou.

Na visão do analista, a empresa passa a figurar entre os nomes mais interessantes do segmento econômico, combinando crescimento dos lucros, melhora financeira e ganhos operacionais, o que a coloca como o principal destaque da temporada de resultados.

O que observar daqui para frente

Para quem acompanha o setor, a leitura dos balanços mostra que a seleção de ações exige olhar além da margem bruta. No caso da MRV, por exemplo, o desconto nos múltiplos vem acompanhado de riscos financeiros reais. Já a Direcional combina margem alta com recompra e dividendos, enquanto a Tenda aparece como o nome que mais surpreendeu. como avaliar o fluxo de caixa de construtoras

Se você está decidindo entre essas ações, vale acompanhar os próximos balanços e a evolução dos estoques no segmento de média e alta renda, especialmente em São Paulo. melhores construtoras para investir em 2026

Perguntas Frequentes

Qual construtora se destacou mais no 2T26?

A Tenda foi o principal destaque da temporada, segundo a Empiricus, surpreendendo positivamente na margem bruta e reduzindo a alavancagem.

Por que a MRV está pressionada?

A MRV&Co segue pressionada pelo nível de endividamento, com atenção especial à operação nos Estados Unidos, que tem levado a empresa a vender ativos.

A Direcional ainda é a preferida da Empiricus?

Sim, a preferência permanece com a Direcional, por valuation e pela proximidade da casa com a gestão.

O que preocupa no segmento de média e alta renda?

Em São Paulo, os estoques aumentaram e o ritmo de vendas perdeu força, o que pode impactar empresas como Moura Dubeux e Cyrela.

A Cury tem alavancagem?

Não, a Cury opera sem alavancagem, com histórico consistente de execução no segmento de baixa renda.

“A temporada de resultados das construtoras no 2T26 trouxe números mistos, com vendas em desaceleração, estoques altos e crédito caro. Direcional, Cury e Tenda se destacam; MRV preocupa. Entenda o cená…”
Adriana Buarque · Editor(a) Investimentos · Viva Capital PRO
Viva Capital Daily · Newsletter

O briefing que os CFOs do varejo brasileiro leem antes das 8h.

Análises diárias sobre meios de pagamento, crédito e bancos digitais. Direto na sua caixa, sem ruído. Já lida por mais de 47 mil profissionais do setor.

Você pode cancelar a qualquer momento. Sem spam.