Direcional, Cury, Tenda, MRV: o que os balanços do 2T26 revelam sobre as construtoras
A temporada de resultados das construtoras referente ao segundo trimestre de 2026 trouxe números mistos, em um cenário de desaceleração das vendas, aumento dos estoques e crédito mais caro. Para Caio Araujo, analista da Empiricus Research, algumas companhias seguem com fundamentos sólidos, e ele destaca Direcional Engenharia (DIRR3), Cury (CURY3) e Tenda (TEND3).
Resposta direta: quais construtoras saem na frente após os balanços do 2T26? Direcional, Cury e Tenda, segundo a Empiricus. A Direcional tem margem próxima de 43% e recompra de até 10% do free float. A Cury mostrou leve avanço da margem bruta e opera sem alavancagem. A Tenda surpreendeu na margem bruta e reduz a alavancagem. A MRV segue pressionada pelo endividamento.
Direcional (DIRR3): resultado saudável, mas margem deve acomodar
Na avaliação de Araujo, a Direcional entregou um resultado saudável, sustentado pelo crescimento da receita, margens elevadas e forte rentabilidade. A margem da companhia permanece próxima de 43%, nível considerado bastante elevado pelo analista. Ele espera uma acomodação desse indicador ao longo de 2026, refletindo rentabilidade mais próxima da normalidade nos novos projetos, mas destaca que a geração de caixa segue robusta.
"Nosso balanço geral sobre a Direcional é que o resultado foi saudável. Não vejo crítica suficiente para uma reação muito contundente no papel", afirmou.
O analista também chama atenção para o programa de recompra de até 10% do free float. Segundo ele, somado aos dividendos, o movimento pode levar a companhia a entregar um dividend yield de até 12% no próximo ano.
Cury (CURY3): trimestre ainda mais positivo, sem alavancagem
Para Araujo, a Cury apresentou um trimestre ainda mais positivo em alguns aspectos. A companhia registrou leve avanço da margem bruta, geração de caixa saudável e margens estáveis, apesar do aumento das despesas comerciais e de impactos pontuais relacionados à Copa do Mundo e a atrasos em projetos.
"Eu vejo menos pontos detratores na Cury", disse o analista. Ele destaca ainda que a empresa opera sem alavancagem e possui um histórico consistente de execução no segmento de baixa renda. Mesmo assim, a preferência da Empiricus permanece com a Direcional, principalmente por uma questão de valuation e pela maior proximidade da casa de análise com a gestão da companhia.
MRV&Co (MRVE3): endividamento exige critério
A situação da MRV&Co é mais desafiadora. Embora a operação de incorporação no Brasil tenha apresentado evolução nas margens e nas vendas, a companhia continua pressionada pelo nível de endividamento. O principal foco de atenção segue sendo a operação nos Estados Unidos, que tem levado a empresa a vender ativos e pode continuar gerando volatilidade para as ações.
"Há um contexto de alavancagem que exige um pouco mais de critério", avaliou Araujo. Segundo o analista, apesar de a MRV negociar a múltiplos inferiores aos de outras empresas do setor, esse desconto deve ser analisado à luz dos riscos financeiros da companhia.
Moura Dubeux e Cyrela: positivas, mas média e alta renda preocupa
Já para Moura Dubeux (MDNE3) e Cyrela (CYRE3), a visão é mais positiva. Araujo acredita que a Moura tem espaço para sustentar crescimento, enquanto a Cyrela pode surpreender na geração de caixa. O principal ponto de atenção, contudo, está no segmento de média e alta renda, especialmente em São Paulo, onde os estoques aumentaram e o ritmo de vendas perdeu força.
Tenda (TEND3): o principal destaque da temporada
Entre as construtoras acompanhadas pela Empiricus, a Tenda foi o principal destaque do trimestre. Segundo Araujo, a companhia surpreendeu positivamente na margem bruta e mantém uma trajetória consistente de redução da alavancagem e fortalecimento da geração de caixa.
"Em termos de reação de mercado, hoje será difícil ver um destaque maior do que a Tenda", afirmou.
Na visão do analista, a empresa passa a figurar entre os nomes mais interessantes do segmento econômico, combinando crescimento dos lucros, melhora financeira e ganhos operacionais, o que a coloca como o principal destaque da temporada de resultados.
O que observar daqui para frente
Para quem acompanha o setor, a leitura dos balanços mostra que a seleção de ações exige olhar além da margem bruta. No caso da MRV, por exemplo, o desconto nos múltiplos vem acompanhado de riscos financeiros reais. Já a Direcional combina margem alta com recompra e dividendos, enquanto a Tenda aparece como o nome que mais surpreendeu. como avaliar o fluxo de caixa de construtoras
Se você está decidindo entre essas ações, vale acompanhar os próximos balanços e a evolução dos estoques no segmento de média e alta renda, especialmente em São Paulo. melhores construtoras para investir em 2026
Perguntas Frequentes
Qual construtora se destacou mais no 2T26?
A Tenda foi o principal destaque da temporada, segundo a Empiricus, surpreendendo positivamente na margem bruta e reduzindo a alavancagem.
Por que a MRV está pressionada?
A MRV&Co segue pressionada pelo nível de endividamento, com atenção especial à operação nos Estados Unidos, que tem levado a empresa a vender ativos.
A Direcional ainda é a preferida da Empiricus?
Sim, a preferência permanece com a Direcional, por valuation e pela proximidade da casa com a gestão.
O que preocupa no segmento de média e alta renda?
Em São Paulo, os estoques aumentaram e o ritmo de vendas perdeu força, o que pode impactar empresas como Moura Dubeux e Cyrela.
A Cury tem alavancagem?
Não, a Cury opera sem alavancagem, com histórico consistente de execução no segmento de baixa renda.
