O UBS BB rebaixou as ações da Braskem (BRKM5) de neutra para venda e cortou o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 3,75, o que implica potencial de queda de 29,8% ante o último fechamento. A petroquímica enfrenta uma recuperação extrajudicial e busca reestruturar dívidas que somam cerca de US$ 10,9 bilhões.
Na Bolsa, BRKM5 caiu forte no pregão desta quarta-feira (16). Por volta de 13h05 (horário de Brasília), o recuo era de 13,67%, a R$ 4,61, e a mínima do dia chegou a 14,79% de queda.
Por que o UBS BB rebaixou a Braskem
A equipe de analistas do banco enxerga um cenário difícil e sem saída fácil. Os spreads, de forma geral, retornaram às perspectivas anteriores ao conflito no Oriente Médio. Adições relevantes de capacidade na China devem superar o crescimento da demanda em 2027 e 2028, provavelmente mantendo os spreads em níveis baixos do ciclo até mais adiante nesta década, com risco limitado de alta.
"Reconhecemos que estamos um pouco atrasados no rebaixamento após a queda das ações nos últimos três meses e os ventos contrários persistentes relacionados aos spreads e à reestruturação", diz o UBS BB.
O banco estima que a companhia precise reduzir a dívida líquida em cerca de US$ 6,0 bilhões a US$ 6,5 bilhões para alcançar níveis sustentáveis de alavancagem e geração de caixa.
Recuperação extrajudicial e risco de diluição
Em 24 de agosto, a Braskem confirmou a recuperação extrajudicial com adesão de 39,6% dos credores. A companhia tem até 22 de novembro para chegar a um acordo com 50% + 1 dos credores. Diferentemente da recuperação judicial, a extrajudicial permite que empresas em crise financeira renegociem dívidas diretamente com credores.
O plano prevê o alongamento dos prazos e a capitalização dos juros dessas dívidas durante um período de carência, chamado de relief. Os analistas apontam risco relevante de diluição para os acionistas e alta volatilidade durante esse processo.
"Dada a magnitude do ajuste, uma solução pode combinar conversão de dívida em participação acionária, haircut (deságio) e injeção de capital. Se a solução envolver exclusivamente conversão de dívida e aumento de capital, isso poderia implicar diluição de cerca de 70% a 95% para os acionistas minoritários", dizem os analistas.
Caso não seja alcançado um acordo, a companhia poderá precisar entrar com um pedido de recuperação judicial (RJ), pondera o banco. Para a Petrobras (PETR4), caso essa redução da dívida líquida ocorra exclusivamente por meio de conversão de dívida e uma injeção de recursos pela estatal, a estimativa é que ela precisaria contribuir com até US$ 2 bilhões a US$ 2,5 bilhões para manter a participação inalterada.
O que pesa nos spreads de PE e PP
No início do conflito no Oriente Médio, preocupações com interrupções no fornecimento impulsionaram uma forte alta nos spreads. O movimento teve curta duração, à medida que a oferta foi realocada em meio ao excesso de capacidade e aos estoques elevados.
As expectativas apontam para 2027 como o pico das adições de capacidade de PE (polietileno), com 7,6 milhões de toneladas entrando em operação, cerca de 60% na China, contra apenas 4,6 milhões de toneladas de crescimento da demanda, aprofundando o excesso de oferta.
"No caso do PP (polipropileno), embora o pico das adições de capacidade possa ter passado entre 2023 e 2025, são esperadas outras 3,1 milhões de toneladas em 2027, cerca de 75% provenientes da China, praticamente em linha com o crescimento da demanda", dizem os analistas.
O banco incorporou nas estimativas para 2027 spreads de PE-Nafta de US$ 395 por tonelada (-13% na comparação anual, +10% ante 2025), PE-Etano de US$ 823 por tonelada (-18% na comparação anual, +15% ante 2025) e PP-Propeno de US$ 485 por tonelada (-9% na comparação anual, +10% ante 2025). Diante desse cenário, os analistas esperam Ebitda pressionado e maior consumo de FCFE nos próximos anos, potencialmente exigindo uma solução mais significativa para a estrutura de capital.