O bitcoin (BTC) é negociado na casa dos US$ 76 mil na manhã desta quinta-feira (10), com queda de mais de 3% nas últimas 24h. O mercado global de criptomoedas opera no vermelho, pressionado pelos custos recentes de energia e pelo aumento dos juros nas principais economias do globo.
A leitura que faço aqui é direta: cripto é tecnologia antes de ser aposta, e tecnologia sensível a juros não sobe quando o custo do dinheiro sobe. Os investidores mantêm as atenções no futuro da política monetária norte-americana, com o próximo encontro do Fomc, o Copom dos Estados Unidos, marcado para a semana que vem.
O que mexe com as cotações hoje
O Banco Central Europeu (BCE) deu hoje uma prévia do que pode acontecer na semana que vem ao elevar os juros da Zona do Euro de 2,25% para 2,50%. A autoridade monetária afirma que a inflação deve permanecer acima da meta de 2% por algum tempo.
O BCE alega que a guerra no Irã e a disparada dos preços do barril de petróleo, que nesta quinta-feira atingiu o patamar de US$ 105, reforçam a necessidade de conter a inflação por meio da política de juros.
Como consequência, o aperto monetário global tende a manter os ativos de risco estagnados, caso das bolsas e das criptomoedas. No mercado tradicional, as bolsas asiáticas fecharam sem um único sinal hoje. A abertura na Europa também é mista, enquanto os índices futuros de Wall Street buscam o viés positivo nas primeiras horas do dia.
Volatilidade é regra, não exceção
Quem acompanha o mercado há alguns ciclos sabe que uma queda de 3% em 24h não é evento raro para o bitcoin. É o comportamento normal de um ativo que negocia 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem circuit breaker e sem pregão fechado.
Isso significa duas coisas na prática. Primeiro: quem entrou esperando retorno garantido precisa rever a tese. Segundo: só invista o que você aceita perder, porque o risco de perda total em cripto é real, não retórico.
Aqui vale lembrar o básico de segurança que repito sempre: chave privada é responsabilidade sua. Se você guarda BTC em exchange, está confiando a custódia a um terceiro. Se guarda em carteira própria, a responsabilidade pela seed é 100% sua. Nos dois casos, ninguém devolve o que se perde por descuido.
O cenário macro segue o mesmo roteiro: juros altos nas economias centrais tendem a segurar a demanda por ativos de risco. Enquanto o petróleo não ceder e o BCE não sinalizar alívio, a pressão sobre as cotações deve continuar. O encontro do Fomc na semana que vem é o próximo ponto de atenção para quem opera cripto no curto prazo.
Para entender como o aperto monetário afeta outras classes, vale acompanhar juros e renda fixa e o que é o Fomc.