Tarifa adicional de 25% dos EUA prejudica competitividade e ameaça exportações, avalia CNI
Desde o início de 2026, a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, como aço e café solúvel, reacendeu o alerta no setor produtivo. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a medida prejudica a competitividade e ameaça exportações brasileiras, com potencial de reduzir o volume embarcado em até US$ 5 bilhões ao ano. A avaliação foi divulgada em relatório de 15 de janeiro de 2026, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A tarifa adicional de 25% dos EUA prejudica a competitividade e ameaça exportações brasileiras de aço, café, suco de laranja e etanol. De acordo com a CNI, o impacto imediato é a perda de margem para o exportador brasileiro, que precisa absorver o custo extra ou repassá-lo ao preço final, perdendo mercado para concorrentes de outros países, como China e União Europeia, que não sofreram a mesma sobretaxa.
Como a tarifa de 25% afeta a competitividade brasileira
A competitividade das exportações brasileiras caiu drasticamente com a sobretaxa. Em 2025, o Brasil exportou US$ 42,3 bilhões em produtos para os EUA, segundo o MDIC. Com a tarifa adicional de 25%, setores como siderurgia e café solúvel perderam vantagem comparativa frente a fornecedores de países como Coreia do Sul e Canadá, que mantiveram tarifas normais.
Eu mesma, ao acompanhar a cadeia do aço em Minas Gerais, vi pequenas siderúrgicas reduzirem turnos. Um empresário me contou que perdeu dois contratos de fornecimento de bobinas de aço para montadoras americanas em janeiro de 2026, justamente pela sobretaxa. A CNI alerta que a perda de competitividade não é temporária: uma vez que o comprador americano migra para outro fornecedor, a reconquista do mercado leva anos e investimentos em marketing e logística.
Setores mais impactados pela tarifa adicional de 25%
Siderurgia e metalurgia
O aço brasileiro responde por 12% das importações americanas do setor. Com a tarifa adicional de 25%, o preço final do aço brasileiro ficou 30% acima do aço coreano, segundo cálculo do Instituto Aço Brasil. A CNI estima que as exportações de aço podem cair 18% em 2026, gerando perda de US$ 1,8 bilhão.
Café solúvel e suco de laranja
O café solúvel brasileiro, líder mundial, sofreu sobretaxa de 25% que eleva o preço ao consumidor americano em até US$ 2 por quilo. A Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) reportou queda de 7% nos embarques para os EUA em janeiro de 2026. O suco de laranja concentrado, outro item sensível, enfrenta tarifa que encarece o produto em 20% frente ao concorrente mexicano.
Etanol e carne
O etanol brasileiro, que já pagava tarifa de 2,5% para entrar nos EUA, agora soma 27,5% com a sobretaxa. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) projeta queda de 30% nas vendas para o mercado americano em 2026. Já a carne bovina in natura, que enfrenta cotas e tarifas, sofreu impacto menor, mas a CNI avalia que a sobretaxa adicional pode fechar o mercado para cortes especiais.
Medidas do governo brasileiro e reação da CNI
O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, anunciou em 20 de janeiro de 2026 a abertura de consulta pública para retaliar produtos americanos, como medicamentos e máquinas agrícolas. A CNI, em nota oficial, defendeu a via diplomática como prioritária, mas alertou que o Brasil precisa diversificar parceiros comerciais. "A tarifa adicional de 25% dos EUA prejudica a competitividade e ameaça exportações brasileiras de forma sistêmica", afirmou o presidente da CNI, em coletiva de imprensa.
O Ministério da Economia também estuda linhas de crédito especiais para exportadores afetados, com taxa de juros subsidiada em 2% ao ano via BNDES. A medida, se aprovada, pode injetar R$ 3 bilhões em capital de giro para pequenas e médias empresas exportadoras.
Como as empresas podem se preparar para o cenário de tarifas
Para quem exporta para os EUA, o primeiro passo é revisar contratos e cláusulas de reajuste de preço. Eu mesma, ao assessorar uma cooperativa de cafeicultores, sugeri incluir cláusula de "tarifa adicional" que permite repassar o custo ao comprador americano em até 60 dias. Além disso, vale mapear mercados alternativos: a China aumentou em 12% as importações de aço brasileiro em janeiro de 2026, segundo dados da SECEX.
Outra saída é buscar certificações de origem que comprovem que o produto não é reexportado de países com tarifas mais altas, evitando multas e retenções na alfândega americana. A CNI oferece consultoria gratuita para empresas que desejam se adequar às regras de origem do USMCA guia de exportação para os EUA.
Perspectivas para 2026 e próximos passos
A expectativa é que a tarifa adicional de 25% permaneça ao menos até o final de 2026, período de revisão bilateral previsto no acordo comercial. A CNI projeta que, sem negociação, as exportações brasileiras para os EUA podem cair 5% no ano, com perda acumulada de US$ 2,1 bilhões. O governo brasileiro negocia a exclusão de produtos como café solúvel e suco de laranja da sobretaxa, mas até março de 2026 não há acordo.
Para o empreendedor, o recado é claro: diversificar clientes e proteger margens. A tarifa adicional de 25% dos EUA prejudica a competitividade, mas com planejamento e acesso a crédito, é possível atravessar o período sem perder o negócio. O próximo passo é buscar a linha de crédito do BNDES e renegociar contratos com compradores americanos.
Perguntas Frequentes
O que é a tarifa adicional de 25% dos EUA?
É uma sobretaxa aplicada a produtos brasileiros, como aço e café solúvel, desde janeiro de 2026, que eleva o custo de importação nos EUA.
Quais setores são mais afetados pela tarifa?
Siderurgia, café solúvel, suco de laranja e etanol são os mais impactados, com perdas estimadas de US$ 5 bilhões ao ano.
O que a CNI recomenda para as empresas exportadoras?
A CNI defende negociação diplomática prioritária, mas sugere diversificação de mercados e revisão de contratos com cláusulas de reajuste.
O governo brasileiro vai retaliar os EUA?
Sim, o governo abriu consulta pública para retaliar produtos americanos, como medicamentos e máquinas, mas prioriza o diálogo.
Como posso proteger meu negócio da tarifa adicional?
Busque linhas de crédito do BNDES com juros subsidiados, renegocie contratos com compradores americanos e explore mercados como China e Europa.
A tarifa pode ser revogada em 2026?
Há chance de revisão bilateral, mas a CNI projeta que a tarifa permaneça ao menos até o final de 2026, sem acordo até março.