Aeronaves, óleo, café e carne estão fora do tarifaço imposto pelos EUA
O governo americano anunciou, em 15 de maio de 2026, a aplicação de tarifas de importação sobre uma cesta de produtos estrangeiros, mas excluiu setores estratégicos como aeronaves, óleo bruto, café e carne bovina. A medida, que entra em vigor em 1º de junho, atinge principalmente bens manufaturados da China e da União Europeia. Para o Brasil, a notícia traz alívio em áreas que respondem por mais de 30% das exportações nacionais aos EUA.
Segundo o governo americano, aeronaves, óleo bruto, café e carne bovina estão fora do tarifaço porque são considerados essenciais para a segurança nacional, o abastecimento interno ou por não competirem diretamente com a indústria local. A lista de exceções inclui ainda fertilizantes, produtos farmacêuticos, semicondutores e minérios de terras raras.
Por que esses produtos foram excluídos?
A exclusão de aeronaves, óleo, café e carne do tarifaço segue critérios técnicos definidos pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA. No caso do óleo bruto, a justificativa é a dependência americana de importações para abastecer refinarias, os EUA consomem cerca de 20 milhões de barris por dia e produzem apenas 13 milhões. Já o café e a carne bovina são itens com baixa produção doméstica: os EUA importam 70% do café que consomem e 15% da carne bovina.
"Aeronaves e semicondutores foram excluídos por razões de segurança nacional e cadeias de suprimento", afirmou a porta-voz do USTR em comunicado oficial. Na prática, isso significa que a Embraer, por exemplo, não terá seus jatos comerciais taxados, ao menos por enquanto.
O que entra no tarifaço?
A tarifa de 25% atinge produtos como aço, alumínio, veículos elétricos, baterias de lítio, painéis solares e máquinas industriais. A lista completa foi publicada no Federal Register em 16 de maio. Para o Brasil, os itens mais afetados são o aço semi-acabado (US$ 1,2 bilhão em exportações em 2025) e o alumínio primário (US$ 800 milhões).
Impacto para o Brasil
A exclusão de aeronaves, óleo, café e carne do tarifaço protege os principais carros-chefe da pauta exportadora brasileira para os EUA. Em 2025, o Brasil vendeu US$ 5,3 bilhões em óleo bruto, US$ 3,1 bilhões em café, US$ 2,8 bilhões em carne bovina e US$ 1,6 bilhão em aeronaves para o mercado americano (dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
Eu, como especialista em comércio exterior, já vi situações em que uma medida protecionista americana pegou o exportador brasileiro de surpresa. Dessa vez, o governo brasileiro atuou nos bastidores: o Itamaraty enviou nota técnica ao USTR em março, argumentando que o café e a carne não competem com a produção local. Funcionou.
Setores que ainda preocupam
Apesar das exceções, o tarifaço atinge o aço brasileiro, e isso mexe com a cadeia. O Brasil exportou US$ 2,1 bilhões em aço para os EUA em 2025, segundo o Instituto Aço Brasil. Com a tarifa de 25%, o produto brasileiro perde competitividade frente ao aço canadense e mexicano, que seguem com acesso preferencial pelo USMCA.
Outro ponto de atenção: o tarifaço pode ser ampliado. O governo americano incluiu uma cláusula de revisão trimestral, o que significa que aeronaves, óleo, café e carne podem entrar na lista futuramente se houver mudança na avaliação de risco.
Como fica o café brasileiro?
O café é o segundo maior item de exportação do Brasil para os EUA, atrás apenas do óleo bruto. A exclusão do tarifaço mantém o produto brasileiro competitivo frente a concorrentes como Colômbia e Vietnã, que também não foram taxados. A Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) comemorou a decisão, mas alertou: "O mercado de café é volátil e qualquer barreira não tarifária pode surgir".
E a carne bovina?
A carne bovina brasileira responde por 18% das importações americanas do produto. Com a exclusão, o Brasil mantém o acesso sem tarifa adicional, mas precisa cumprir as cotas da OMC, que limitam o volume isento a 65 mil toneladas por ano. Acima disso, incide a tarifa normal de 26,4%.
O que muda para o exportador brasileiro?
Na prática, quem exporta aeronaves, óleo, café e carne não precisa renegociar contratos nem rever margens. Mas quem trabalha com aço ou alumínio precisa se preparar: a tarifa de 25% reduz a margem líquida em até 8 pontos percentuais, dependendo do produto.
guia de exportação para os EUA
Perguntas Frequentes
Quais produtos estão fora do tarifaço dos EUA?
Aeronaves, óleo bruto, café, carne bovina, fertilizantes, produtos farmacêuticos, semicondutores e minérios de terras raras.
Por que o café foi excluído?
Porque os EUA importam 70% do café que consomem e não produzem o suficiente para abastecer o mercado interno.
O tarifaço atinge o aço brasileiro?
Sim. Aço e alumínio estão na lista de 25%, afetando diretamente as exportações brasileiras.
Aeronaves da Embraer serão taxadas?
Não. Aeronaves comerciais e executivas estão entre as exceções, desde que não sejam militares.
O tarifaço pode ser ampliado?
Sim. Há cláusula de revisão trimestral, podendo incluir novos produtos ou excluir outros.
O que o Brasil fez para evitar o tarifaço?
O Itamaraty enviou nota técnica ao USTR em março de 2026, argumentando que café e carne não competem com produção local.
Como fica o óleo bruto brasileiro?
O óleo bruto está fora do tarifaço, mantendo o acesso sem tarifa adicional para as refinarias americanas.