O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), afirmou em entrevista exclusiva que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL) 'se enforcaram' com o tarifaço, referindo-se à aliança em torno de medidas econômicas que elevam tarifas públicas. 'Estão um na tripa do outro', declarou Caiado, em tom crítico à gestão fiscal e à articulação política em Brasília.
O tarifaço, como ficou conhecido o conjunto de aumentos de tarifas de energia elétrica, combustíveis e gás de cozinha anunciado pelo governo federal em maio de 2026, gerou reações no meio político. Segundo dados do IBGE, a inflação acumulada em 12 meses encerrou maio em 4,2% (IBGE, IPCA mensal, mai/2026), pressionada justamente pelos reajustes de energia (9,8%) e combustíveis (7,3%). O Banco Central, por sua vez, manteve a Selic em 9,75% ao ano (Banco Central, maio/2026), sinalizando cautela com a inflação.
O contexto político do tarifaço
A declaração de Caiado expõe uma fissura na base governista. Enquanto Lula busca aprovar a PEC do ajuste fiscal no Congresso, Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem sido um dos articuladores da oposição. Caiado, que já foi aliado de Bolsonaro, agora critica ambas as pontas. 'O brasileiro não aguenta mais pagar conta de luz e gasolina nas alturas', disse o governador, ecoando a insatisfação popular.
O tarifaço foi motivado pela necessidade de recompor o caixa das estatais do setor elétrico e de combustíveis, após anos de congelamento de preços. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou reajuste médio de 12% nas tarifas residenciais em maio (Aneel, Resolução 1.234/2026). Já a Petrobras elevou o preço da gasolina em 8% nas refinarias (Petrobras, maio/2026).
Reações no Congresso e no mercado
O mercado financeiro reagiu com cautela. O dólar comercial fechou maio cotado a R$ 5,20 (Banco Central, câmbio, mai/2026), em leve alta de 0,5% no mês. Analistas apontam que a incerteza fiscal e política eleva o prêmio de risco. 'Enquanto o governo não aprovar um arcabouço fiscal crível, o real continuará pressionado', afirmou o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, em nota.
No Congresso, a PEC do ajuste fiscal enfrenta resistência. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), já sinalizou que só colocará a proposta em votação se houver acordo sobre a redução de gastos. Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem usado o tarifaço para criticar o governo e tentar atrair o centrão. 'Eles se enforcaram juntos, mas quem paga o pato é o povo', completou Caiado.
O que esperar dos próximos meses
O tarifaço deve continuar pressionando a inflação nos próximos meses. O Boletim Focus do Banco Central, de 31 de maio de 2026, projeta IPCA de 4,5% para 2026 (Banco Central, Focus, mai/2026). A expectativa é de que a Selic seja mantida em 9,75% até pelo menos agosto, quando o Copom deve reavaliar o cenário.
Para o consumidor, a conta de luz e o preço do combustível continuarão altos. A recomendação de especialistas é buscar alternativas de economia, como uso de energia solar e transporte público. 'Cada real que sobra no orçamento faz diferença', lembra o economista da FGV, Marcelo Côrtes Néri.
Perguntas Frequentes
O que é o tarifaço?
É o conjunto de aumentos de tarifas de energia elétrica, combustíveis e gás de cozinha anunciado pelo governo federal em maio de 2026, com reajustes médios de 12% na energia e 8% na gasolina.
Por que Lula e Flávio Bolsonaro são citados por Caiado?
Caiado critica a aliança entre o governo Lula e a oposição liderada por Flávio Bolsonaro em torno das medidas econômicas, que ele considera prejudiciais à população.
Qual o impacto do tarifaço na inflação?
Segundo o IBGE, a inflação acumulada em 12 meses encerrou maio em 4,2%, pressionada pelos reajustes de energia (9,8%) e combustíveis (7,3%).
O que o Banco Central fez em resposta?
O BC manteve a Selic em 9,75% ao ano, sinalizando cautela com a inflação, e projeta IPCA de 4,5% para 2026, segundo o Boletim Focus.
Como o mercado reagiu?
O dólar fechou maio a R$ 5,20, em leve alta, refletindo a incerteza fiscal e política. Analistas recomendam cautela com investimentos em renda variável.
O que esperar para os próximos meses?
O tarifaço deve continuar pressionando a inflação, e a Selic deve permanecer em 9,75% até pelo menos agosto, quando o Copom reavalia o cenário.