O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano, decisão que o mercado já esperava. Para o economista-chefe do Banco Bmg, Flávio Serrano, o colegiado repetiu a estratégia de manter o comunicado mais enxuto e deixou espaço para novos movimentos.
O Copom cortou a Selic para 13,75% ao ano e, na leitura do economista-chefe do Bmg, manteve aberta a possibilidade de um novo corte em novembro. O Bmg projeta mais uma redução na próxima reunião e uma pausa na seguinte, o que levaria a taxa a 13,50% ao ano em dezembro. A Selic meta segue em 13,75% segundo o Banco Central.
O que o comunicado sinaliza
Serrano destacou um trecho específico do comunicado, em que o Copom afirma que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Na avaliação dele, esse ponto deixa uma porta aberta.
"O Copom deixa uma porta aberta para fazer o que for necessário, seja um novo corte nos juros ou não no próximo encontro", afirmou durante o Giro Especial do Copom, programa do Money Times no YouTube.
O economista-chefe do Bmg também apontou que o cenário atual confirma uma desaceleração da atividade econômica, o que, na visão dele, mostra que a política monetária está fazendo efeito. Segundo Serrano, elementos recentes permitem ao Banco Central estender um pouco mais o ciclo de calibração da taxa de juros.
Pausa estratégica e riscos à frente
Para o Bmg, o Copom deve adotar uma pausa estratégica nas decisões de dezembro deste ano e janeiro de 2027. O objetivo seria calibrar os impactos do El Niño e um possível ajuste nos preços dos combustíveis diante da cotação do barril de petróleo mais elevado.
Serrano citou a defasagem entre preços domésticos e internacionais dos combustíveis. Segundo ele, o governo tem controlado o impacto da alta do petróleo no mercado externo sobre os preços internos, o que gerou uma defasagem de mais de 100% no diesel e de 40% na gasolina. Um eventual reajuste poderia adicionar pressão à inflação.
"Se a inflação de serviços começar a piorar e as expectativas começarem a andar mais, porque elas vêm piorando gradualmente, o BC optaria por uma pausa estratégica", disse.
Fed, câmbio e o efeito no Brasil
No mesmo dia, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve elevou os juros em 25 pontos-base, para a faixa de 3,75% a 4,00%, a primeira alta desde julho de 2023. O Fomc também sinalizou nova alta até dezembro, o que deve pressionar o câmbio.
Juros mais altos nos EUA tendem a fortalecer o dólar e reduzir o apetite por emergentes. Segundo Serrano, o real pode não ficar tão comportado daqui para frente, e uma eventual desvalorização teria impacto sobre a inflação, sobretudo via preços de bens industriais.
Para o economista, o ambiente doméstico é complexo e o internacional se mostra mais incerto nos próximos meses. A forma como a economia absorver o choque será determinante para a condução da política monetária.