Aegon alerta: risco de alta de juros pelo Fed é maior que o de corte
O Federal Reserve (Fed) pode voltar a elevar os juros caso a inflação pressione a economia, alerta Frank Rybinski, chefe de estratégia macro da Aegon Asset Management, gestora de US$ 340 bilhões. O risco subestimado antes da decisão do Fed passa pelo Brasil, com impacto direto sobre o crédito privado e o real.
"Hoje, o risco de corte de juros é menor do que o de voltar a elevá-los. O mercado futuro atualmente precifica duas altas de juros até a primavera de 2027", diz Rybinski em entrevista exclusiva ao EXAME Insight.
Cenário de juros americanos e impacto no Brasil
A taxa básica de juros dos Estados Unidos está na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano desde dezembro de 2025, após um corte de 0,25 ponto percentual. Desde então, o banco central americano manteve os juros inalterados.
Para Rybinski, o ideal é que os juros permaneçam em um "ponto de equilíbrio": suficientemente altos para desestimular concessões de crédito arriscadas, mas baixos o bastante para atender às necessidades de financiamento de empresas lucrativas.
Crédito privado: expansão e riscos
O crédito privado voltou a ganhar espaço nas carteiras de investidores institucionais, com ativos sob gestão saltando de US$ 158 bilhões em 2010 para quase US$ 2 trilhões em 2024. "Os juros mais altos abriram essa porta, mas a verdadeira história é que o crédito privado amadureceu", diz Rybinski.
Apesar da expansão, o ciclo de juros elevados aumentou a pressão sobre empresas de médio porte altamente alavancadas. Segundo a S&P, o default rate do crédito privado era de 0,5% no acumulado de 12 meses até o primeiro trimestre de 2024, abaixo dos cerca de 2% observados em outros setores.
Safras de operações mais fracas
Rybinski alerta que a principal questão é saber se estamos diante de um adiamento no reconhecimento das perdas. A preocupação é com safras de operações como Leveraged Buyout (LBO), com grande proporção de dinheiro emprestado.
"As operações realizadas em 2021 e 2022 formam uma safra mais fraca, e já vimos refinanciamentos bastante desafiadores nesse grupo", explica. A Aegon evita fazer negócio com empresas que dependem de refinanciamento constante.
Real valorizado e vulnerável a choques
Desde o início de 2025, o real passou de um dos piores desempenhos entre moedas emergentes para uma das mais valorizadas. Em julho de 2026, o dólar era negociado próximo de R$ 5,10, contra níveis superiores a R$ 6,20 no fim de 2024, valorização de aproximadamente 18%.
"O real teve um desempenho muito forte nos últimos meses e dificilmente continuará se valorizando nesse ritmo", alerta Rybinski. Ele sugere migrar parte dos investimentos locais para ativos denominados em dólar ou outras moedas fortes.
Estratégia para investidores
"O principal motivo para investir fora do Brasil seria a expectativa de um cenário de maior aversão ao risco, que provavelmente levaria a uma forte desvalorização do real", diz Rybinski. Investir em crédito global é uma forma de construir um portfólio mais equilibrado e resiliente.
Perguntas Frequentes
Qual é o principal risco apontado pela Aegon?
O risco de o Federal Reserve voltar a elevar os juros, com impacto sobre crédito global e ativos brasileiros.
Como o crédito privado tem se comportado?
Os ativos sob gestão saltaram de US$ 158 bilhões em 2010 para quase US$ 2 trilhões em 2024, com default rate de 0,5%.
Qual a recomendação para investidores no Brasil?
Migrar parte dos investimentos para ativos em dólar ou moedas fortes, diante da vulnerabilidade do real.
O que é uma safra de operações mais fraca?
Operações de LBO realizadas em 2021 e 2022, com alto endividamento e desafios de refinanciamento.
Qual a valorização recente do real?
O real se valorizou aproximadamente 18% desde o fim de 2024, com dólar em R$ 5,10 em julho de 2026.