O Itaú BBA reiterou a recomendação outperform (equivalente a compra) para as ações da Plano&Plano (PLPL3), com preço-alvo de R$ 15. Contra a cotação de R$ 6,51 usada no relatório, o valor representa um potencial de valorização de 130,4%. A visão otimista veio após reunião dos analistas com o presidente do conselho de administração, Rodrigo Luna, e o diretor de relações com investidores, Eduardo Cerri.
O banco acredita que a recuperação da execução operacional pode mostrar que os papéis estão excessivamente descontados. Hoje, a construtora negocia a 2,8 vezes o lucro estimado para 2027, segundo cálculos do Itaú BBA. O desconto reflete uma forte correção: em 12 meses, PLPL3 acumulava queda de 49,2%, desempenho 60,4 pontos percentuais inferior ao Ibovespa.
Um dos principais gatilhos esperados é a recuperação das margens. A administração prevê melhora gradual da margem bruta em direção a 35%, apoiada pelos projetos mais recentes, que devem substituir lançamentos antigos ainda carregando descontos comerciais e custos de construção elevados. A companhia também redesenhando projetos e aproximando sua estratégia comercial de concorrentes, o que pode aumentar a velocidade de vendas no médio prazo. Além disso, pretende ampliar a operação em Goiânia, mercado menos competitivo que São Paulo, e observa maior estabilidade nos custos de construção.
O cenário, porém, impõe desafios. O mercado de habitação popular em São Paulo ficou mais disputado: entre 2020 e 2023, os lançamentos anuais do Minha Casa, Minha Vida na capital giravam em torno de 30 mil unidades; nos últimos 12 meses, saltaram para cerca de 90 mil, com a entrada de construtoras de média renda e de outras regiões. A Plano&Plano lançou R$ 2,8 bilhões em projetos no segundo semestre de 2025, mas as vendas não acompanharam. Empreendimentos antigos ficaram mais difíceis de comercializar, exigindo entradas maiores. Como resposta, a construtora priorizou controle de estoques e descontos, o que ajudou as vendas, mas pressionou margens.
Diante disso, a companhia deixou de projetar crescimento de R$ 500 milhões a R$ 1 bilhão nos lançamentos, pretendendo manter o volume próximo ao de 2025, com foco em projetos maiores e recuperação da rentabilidade. O Itaú BBA também nota a postura mais seletiva da Caixa Econômica Federal na aprovação de financiamentos; até agora, clientes da Plano&Plano não passaram pelas novas entrevistas do banco público. Para o BBA, o potencial de valorização dependerá da capacidade de transformar mudanças comerciais em vendas mais rápidas, margens melhores e geração de caixa. Se a execução avançar, o valuation atual pode se mostrar excessivamente baixo. No horizonte de longo prazo, vale acompanhar os próximos balanços para confirmar a virada operacional antes de tomar qualquer decisão. como avaliar ações de construtoras