Vale comprar Ibovespa agora, mesmo com incertezas no curto prazo?
A bolsa brasileira enfrenta desafios na reta final do ano: incertezas com a credibilidade do ajuste fiscal, trade eleitoral e juros nominais e reais elevados. Mesmo assim, o estrategista da Santander Corretora enxerga oportunidade de compra no Ibovespa.
Em resumo: Ricardo Peretti, estrategista de ações da Santander Corretora, recomenda compra do Ibovespa. O índice negocia com P/L de 8,4 vezes para os próximos 12 meses, contra média de 10,5 vezes. Isso representa um desconto de cerca de 20% no valuation. A corretora tem preço-alvo de 195 mil pontos para o fim de 2026.
Por que o Ibovespa está barato?
O principal índice da bolsa brasileira negocia com múltiplo de preço em relação ao lucro (P/L) de 8,4 vezes para os próximos 12 meses. A média histórica é de 10,5 vezes. Ou seja, o desconto é de cerca de 20%, calcula Peretti.
Na máxima nominal histórica, o Ibovespa alcançou 199.354,81 pontos em 14 de abril de 2026. O movimento perdeu força quando o mercado reprecificou a curva de juros, com o conflito no Oriente Médio.
O que pode impedir a bolsa de ficar mais atraente?
A corretora projeta mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, levando o juro básico para 13,75% ao ano. Mas, como alerta Peretti, "de setembro adiante é uma incógnita a trajetória de juros, com a incerteza eleitoral e as dúvidas quanto ao fiscal no governo a partir de 2027".
Esses fatores, na visão dele, podem impedir que a bolsa fique mais atraente no curto prazo.
Curto prazo: falta catalisador
Para Peretti, faltam catalisadores para a bolsa nos próximos três meses. O Ibovespa deve oscilar entre 170 mil e 180 mil pontos.
O fluxo de investidores estrangeiros perdeu força a partir de março, com o conflito no Oriente Médio. Em maio e junho, houve saída líquida. Em julho, porém, o cenário mudou: os externos injetaram saldo líquido de R$ 3,3 bilhões na B3. No acumulado do ano, o ingresso líquido era de R$ 41,04 bilhões.
"Chegamos à conclusão de que o gringo dá o benefício da dúvida para a bolsa brasileira em níveis atrativos", avalia Peretti.
IA pode ser aliada ou risco
Os movimentos recentes do S&P 500 e do Nasdaq ainda não configuram saída da tese de inteligência artificial (IA). O Nasdaq registrou o segundo mês consecutivo de perdas em julho.
Se o rali de IA perder força, a bolsa brasileira pode ser uma "válvula de escape" para investidores que precisem rotacionar. Mas, se empresas do setor apresentarem resultados fracos, isso pode pesar negativamente no Ibovespa.
Um termômetro importante é o balanço do segundo trimestre de 2026 da Nvidia, fabricante de chips, previsto para 26 de agosto, após o fechamento do mercado.
Vale a pena comprar agora?
Na visão de Peretti, o risco é para cima. O mercado já precificou um cenário de juros elevados por mais tempo e eleitoral indefinido. "O cenário não é dos melhores, mas ele já está bem precificado."
A expectativa é de um "catch-up" do investidor na bolsa, dado o desconto no valuation. Para quem pensa em como investir na bolsa de valores, o momento exige paciência, mas a assimetria favorece quem entra agora.
Perguntas Frequentes
O Ibovespa está barato?
Sim, segundo a Santander Corretora. O P/L de 8,4 vezes está cerca de 20% abaixo da média histórica de 10,5 vezes.
Qual o preço-alvo da Santander Corretora para o Ibovespa?
A corretora tem preço-alvo de 195 mil pontos para o fim de 2026, com assimetria para cima.
O que pode atrapalhar a bolsa no curto prazo?
Incertezas fiscais, eleitorais e a trajetória de juros a partir de setembro são os principais riscos.
Como o investidor estrangeiro está se posicionando?
Em julho, houve ingresso líquido de R$ 3,3 bilhões na B3. No ano, o saldo é positivo em R$ 41,04 bilhões.
O que observar nos próximos meses?
O balanço da Nvidia, em 26 de agosto, e a trajetória do fluxo estrangeiro são pontos de atenção.
