Exclusivo · Investimentos

Títulos de 10 anos sob pressão: alta dos juros globais

ResumoOs títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA (Treasury) atingiram 4,818%, o maior patamar desde 2023, pressionados pela alta global dos juros. O movimento reflete expectativas de política monetária mais restritiva nos países desenvolvidos. O efeito sobre o mercado brasileiro é limitado, com impacto contido nos rendimentos domésticos.

Juros dos títulos de 10 anos disparam no exterior. Treasury atinge 4,818%, maior nível desde 2023. Entenda os fatores e o efeito limitado no Brasil.

3 min de leituraPRO
Títulos de 10 anos sob pressão: alta dos juros globais
Foto: Viva Capital · Títulos de 10 anos sob pressão: alta dos juros globais · 07 set 2026

Na semana passada, os juros dos títulos públicos globais saltaram para a máxima de vários anos. Nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Alemanha, a escalada foi observada principalmente nos títulos do Tesouro de 10 anos. O movimento reflete expectativas para a política monetária e acontecimentos geopolíticos, segundo especialistas do mercado.

Em 2 de setembro, o rendimento do Treasury norte-americano de 10 anos, referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, atingiu 4,818%, o maior nível desde novembro de 2023. No dia anterior, o yield do Gilts britânico, com vencimento em 10 anos, alcançou 5,2341%, o mais alto desde junho de 2008. Já o Bund alemão registrou nova máxima do ano, a 3,3546%.

Para Arend Kapteyn, economista do UBS BB, as expectativas sobre a política monetária acompanham de perto os acontecimentos geopolíticos: os juros subiram com o início do conflito no Oriente Médio, incorporaram a redução das expectativas de aperto monetário após a assinatura do Memorando de Entendimento em junho e voltaram a subir com a intensificação das tensões. Outra parte da escalada é explicada pelo aumento do risco de inflação e do prêmio de risco-país.

Nas contas do UBS BB, cerca de metade da alta de aproximadamente 60 pontos-base nos yields dos Gilts é explicada pelas expectativas para a taxa de política monetária. No Reino Unido, a taxa referencial está em 3,75%, e o mercado precifica três aumentos pelo Banco da Inglaterra até meados de 2027. Nos EUA, 79% da alta nos juros dos Treasuries de 10 anos também vem de mudanças nas expectativas para as taxas. Segundo o UBS BB, a maior parte desse movimento ocorreu antes da primeira entrevista coletiva do presidente do Fed, Kevin Warsh, que defendeu a retirada das orientações futuras e a perspectiva de volatilidade estruturalmente maior das taxas.

Padhraic Garvey, diretor de research para as Américas do ING, avalia que o yield de 10 anos a 5% não é uma taxa "particularmente alta", considerando a inflação de 3,5% e o déficit fiscal de 6% do PIB. Hoje, os operadores precificam cerca de 50% de chance de o Fed elevar os juros, que estão na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, em 25 pontos-base na decisão de setembro.

Na Alemanha, toda a alta acumulada no ano dos Bunds de 10 anos também tem por trás a perspectiva dos investidores sobre a trajetória dos juros. Na Zona do Euro, a taxa de depósitos está em 2,25%, e o mercado espera uma nova alta de 25 pontos-base na decisão do Banco Central Europeu neste mês. Estrategistas do ING citam a defesa de aumento por alguns membros do BCE e a resiliência da economia da zona do euro à guerra no Oriente Médio.

A curva brasileira, sensível ao ambiente externo, acompanhou a escalada, mas com efeito limitado. Segundo economistas do Itaú BBA, a taxa nominal de dois anos subiu em 2026 em resposta à reprecificação da política monetária nos EUA, com o fator local atuando na direção de juros menores, mas sem compensar a pressão externa. Por aqui, o mercado precifica um novo corte na Selic, hoje em 14% ao ano, com quase 100% de chance de redução de 25 pontos-base para 13,75% na próxima reunião do Copom. A XP espera mais dois cortes, levando a taxa a 13,25% em dezembro. O "efeito eleições" também reforça apostas em troca de governo em 2027, com Lula visto com desconfiança pelo mercado quanto ao controle das contas públicas.

“Juros dos títulos de 10 anos disparam no exterior. Treasury atinge 4,818%, maior nível desde 2023. Entenda os fatores e o efeito limitado no Brasil.”
Adriana Buarque · Editor(a) Investimentos · Viva Capital PRO
Viva Capital Daily · Newsletter

O briefing que os CFOs do varejo brasileiro leem antes das 8h.

Análises diárias sobre meios de pagamento, crédito e bancos digitais. Direto na sua caixa, sem ruído. Já lida por mais de 47 mil profissionais do setor.

Você pode cancelar a qualquer momento. Sem spam.