Tem Santander (SANB11) na carteira? Entenda os riscos de se manter ações no portfólio
O Santander Espanha anunciou uma oferta para adquirir cerca de 10% das ações em circulação do Santander Brasil (SANB11). O movimento, porém, não era exatamente uma novidade. A possibilidade de uma operação desse tipo já vinha sendo especulada havia algum tempo e era tema recorrente em conversas entre analistas e investidores.
O que pegou o mercado de surpresa foi o momento da oferta. Em relatório divulgado mais cedo, o JPMorgan chegou a afirmar que, diante da perspectiva desafiadora para o médio prazo, 'não temos certeza se esse risco poderá se concretizar em breve'.
O que muda para quem tem SANB11 na carteira?
Para quem tem ações do Santander Brasil na carteira, a operação não representa um fechamento compulsório de capital. O investidor poderá optar por trocar seus papéis por BDRs do Santander Espanha ou simplesmente não fazer nada.
É justamente nessa segunda alternativa que alguns gestores enxergam um risco.
Em conversa com o Money Times, um gestor, que não possui posição no banco, afirmou que permanecer com as units pode ser uma estratégia arriscada diante da redução do free float, que é o percentual das ações em circulação no mercado, excluindo a participação do controlador.
O risco de liquidez com a redução do free float
A liquidez, que já não é elevada, tende a ficar ainda menor caso a oferta seja bem-sucedida. Hoje, apenas cerca de 10% do capital está em circulação. 'Se tivesse as ações, faria a troca e depois venderia os papéis do Santander Espanha, que são mais líquidos', afirma o gestor.
Para quem planeja manter os papéis por um horizonte longo, a redução do free float pode significar mais dificuldade para vender quando precisar. Isso afeta diretamente a liquidez do investimento e pode ampliar o risco de perdas em momentos de estresse de mercado.
O que os acionistas que aceitarem a oferta receberão?
Os acionistas do Santander que aceitarem a oferta receberão:
- Ações do Santander Espanha, em troca dos papéis do Santander Brasil
- Caso todas as ações detidas por acionistas minoritários sejam incluídas na oferta, o Banco Santander emitirá aproximadamente 156 milhões de novas ações, o equivalente a cerca de 1,1% de seu capital social atual
- Como forma de permitir que o investidor brasileiro continue exposto ao grupo, o banco lançará um programa de BDRs, que são certificados negociados na B3 que representam ações emitidas no exterior
A visão do Santander sobre a oferta
"Para os acionistas minoritários do Santander Brasil, a oferta oferece uma oportunidade atraente de realizar o valor do investimento com um prêmio em relação ao preço de mercado", afirmou o banco.
Segundo a instituição, a operação também permitirá que esses investidores se tornem acionistas "de um dos principais grupos financeiros diversificados do mundo, com uma base de lucros mais ampla, lucratividade resiliente e um histórico comprovado de criação de valor sustentável".
Para Ana Botín, presidente executiva do Banco Santander, a transação "é um passo adicional em direção à nossa estratégia de simplificar o grupo, ao mesmo tempo em que reforça nosso compromisso de longo prazo com o Brasil".
Ainda segundo o banco, a operação está totalmente alinhada à estratégia do Santander de "entregar criação de valor para os acionistas no longo prazo" e atende ao rigoroso modelo de alocação de capital do grupo.
O precedente de 2014: o que podemos aprender?
Em 2014, o Santander fez a mesma operação: propôs uma troca de ações aos minoritários, com um prêmio de cerca de 20% sobre o valor de mercado.
Na época, a instituição afirmou que não tinha intenção de sair da bolsa brasileira, e sim de melhorar a avaliação das ações.
O patamar de múltiplo para valor patrimonial pago agora também foi parecido com aquele de 2014: 1,1-1,2x valor patrimonial.
Para quem acompanha o histórico, o precedente de 2014 oferece uma referência útil. A operação atual repete o desenho, mas o contexto de liquidez e o momento de mercado são diferentes.
Como decidir entre trocar ou manter os papéis?
A decisão de trocar os papéis por BDRs ou manter as units depende do seu horizonte de investimento e da sua necessidade de liquidez. Se você planeja vender em um prazo curto, a troca pode ser mais interessante, já que os papéis do Santander Espanha tendem a ter mais liquidez.
Se você pretende manter o investimento por um horizonte longo, a redução do free float pode não ser um problema imediato, mas é preciso considerar o risco de liquidez em momentos de estresse.
Vale lembrar que a oferta não é compulsória. O investidor que não fizer nada continuará com as units do Santander Brasil, mas com um free float menor e potencialmente menos liquidez.
Perguntas Frequentes
O que é free float?
Free float é o percentual das ações em circulação no mercado, excluindo a participação do controlador. No caso do Santander Brasil, hoje apenas cerca de 10% do capital está em circulação.
O que são BDRs?
BDRs são Brazilian Depositary Receipts, certificados negociados na B3 que representam ações emitidas no exterior. No caso, o Santander lançará um programa de BDRs para permitir que o investidor brasileiro continue exposto ao grupo.
A oferta do Santander é obrigatória?
Não. A operação não representa um fechamento compulsório de capital. O investidor poderá optar por trocar seus papéis por BDRs do Santander Espanha ou simplesmente não fazer nada.
Qual o prêmio oferecido na oferta?
A fonte não detalha o prêmio exato da oferta atual, mas o múltiplo pago é de 1,1-1,2x valor patrimonial, patamar parecido com o de 2014, quando o prêmio foi de cerca de 20% sobre o valor de mercado.
O que acontece se eu não fizer nada com minhas ações?
Se você não fizer nada, continuará com as units do Santander Brasil. Porém, se a oferta for bem-sucedida, o free float tende a ficar ainda menor, o que pode reduzir a liquidez dos papéis.
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