A suspensão de um acordo ambiental em Mato Grosso coloca em xeque investimentos de R$ 10 bilhões para expandir florestas de eucalipto até 2030. A informação foi confirmada por uma associação do setor de florestas plantadas à Reuters. O Termo de Compromisso Ambiental (TCA), assinado em junho, foi suspenso após a Procuradoria-Geral do estado acatar um pedido do governador Otaviano Pivetta e adiar a publicação de um decreto regulamentador.
Sem o marco normativo, as metas de expansão de florestas plantadas e a redução do uso de biomassa nativa ainda não valem. Para quem pensa em investir em floresta, "acende uma luz amarela", diz Fausto Takizawa, presidente da Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta). O setor teme ainda uma flexibilização do TCA: o governo pediu que grandes consumidores possam usar madeira nativa para cobrir 5% da demanda de energia. Takizawa avalia que isso feriria o Código Ambiental.
O cenário afeta diretamente a competitividade do etanol de milho. Hoje, a biomassa nativa é mais barata que a de florestas plantadas, o que torna a indústria dependente dela. Mato Grosso abriga 14 das 29 usinas de etanol de grãos em operação no Brasil, segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem). O estado tem outras quatro biorrefinarias autorizadas e mais seis projetadas.
Os R$ 10 bilhões seriam suficientes para mais que dobrar a área de eucalipto, dos atuais 165 mil para 400 mil hectares até 2030, em terras já abertas e pastagens degradadas. O avanço ajudaria a cumprir o TCA, que limita o uso de madeira nativa a 40% até 2034 e proíbe a biomassa não renovável a partir de 2035, caso não haja a flexibilização dos 5%.
O subprocurador Marcelo Ferra disse à Reuters que a análise pode ser concluída até o fim do ano, com envio ao Conselho Superior do Ministério Público. Grandes empresas, fundos e instituições financeiras já sondaram investimentos, mas aguardam os "próximos capítulos" do acordo. impacto no setor de etanol
Investir em eucalipto exige horizonte longo, de 6 a 7 anos até o primeiro corte. O risco regulatório aqui é concreto: sem regras firmes, o retorno esperado pode não se materializar. Antes de qualquer decisão, avalie a segurança jurídica do projeto e diversifique. Não é recomendação de investimento.