O que surpreendeu no balanço do Fleury (FLRY3)? Ação salta 14% nesta sexta (7)
O Fleury (FLRY3) lidera a ponta positiva do Ibovespa (IBOV) nesta sexta-feira (7), depois de divulgar os resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26). Por volta das 11h38 (horário de Brasília), a ação saltava 11,41%, a R$ 19,24. Na máxima, chegou a disparar 14,24%, a R$ 19,73.
O que o mercado viu no balanço? O lucro líquido do 2T26 veio em R$ 221,9 milhões, avanço de 45,7% ante o mesmo período de 2025. O número superou a expectativa do mercado: o consenso reunido pela Bloomberg apontava para R$ 172 milhões. A receita líquida subiu 14,4%, para R$ 2,31 bilhões, e o Ebitda atingiu R$ 612,9 milhões, alta de 15,2%, com margem de 26,5%.
Na avaliação dos analistas, é consenso que o resultado foi sólido, com números operacionais positivos, forte geração de caixa e alavancagem controlada. O alerta fica para o terceiro trimestre, que deve ter base de comparação mais desafiadora.
Citi: execução forte e FCFE estimado em R$ 211 milhões
O Citi afirma que já esperava reação positiva das ações do Fleury após mais um trimestre de resultados recorrentes acima das expectativas e manutenção da forte execução operacional. "Em conjunto com o caráter defensivo do negócio e o suporte proporcionado pelos dividendos, acreditamos que a empresa continua bem posicionada para o atual ambiente de mercado", diz o banco.
Segundo o Citi, a receita superou em 4% a previsão do banco, batendo as expectativas nas três principais linhas de negócio. A margem bruta em caixa ficou ligeiramente acima da projeção, em +10 pontos-base, beneficiada pela alavancagem operacional, especialmente pela diluição das despesas com pessoal, embora parcialmente compensada por maiores custos com serviços e materiais médicos.
O banco estima um fluxo de caixa livre recorrente para o acionista (FCFE) de aproximadamente R$ 211 milhões. A companhia anunciou R$ 218 milhões em JCP, equivalente a um rendimento de aproximadamente 2%, o que, na avaliação do Citi, continua sendo um dos principais atrativos da tese de investimento.
O Citi tem recomendação neutra para o papel e preço-alvo de R$ 16, o que implica uma desvalorização de 7,4% em relação ao fechamento anterior (6).
Safra: geração de caixa livre surpreende
Para o Banco Safra, os resultados do 2T26 do Fleury superam as expectativas do banco em todas as linhas, com destaque especial para a forte geração de caixa livre. O fluxo de caixa operacional atingiu R$ 696 milhões, crescimento de 43%, enquanto os investimentos (capex) somaram R$ 76 milhões, queda de 47%. Isso permitiu a geração de R$ 167 milhões de fluxo de caixa livre, após juros, arrendamentos e pagamentos de aquisições.
"Os fortes resultados reforçam nossa visão de que ainda há espaço para revisões positivas nas estimativas de lucro do consenso", avalia o banco, que considera que o Fleury entregou mais um trimestre de execução consistente, combinando crescimento de dois dígitos da receita, expansão de margens e geração de caixa.
A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 2,423 bilhões, alta de 6% ante o trimestre anterior, após pagamento de proventos e aquisições, mantendo a alavancagem estável em 1,1x Ebitda. As demais marcas do grupo em São Paulo expandiram 28%, beneficiadas pelas aquisições da Confiance e LSL. O Safra tem recomendação de compra para FLRY3 e preço-alvo de R$ 21,50, com potencial de valorização de 24% ante o fechamento de ontem.
Itaú BBA: marca Fleury cresce 12% em bases orgânicas
Na avaliação do Itaú BBA, FLRY3 entregou um trimestre muito forte, com a receita significativamente acima das expectativas, impulsionada principalmente pela marca Fleury, que possui maior valor agregado. A marca Fleury cresceu 12% na comparação anual em bases orgânicas, frente à estimativa do banco de avanço de 9%. O banco acrescenta que o crescimento também foi robusto nas demais marcas e na operação B2B.
"Reconhecemos que o terceiro trimestre apresentará uma base de comparação mais desafiadora. Ainda assim, o ritmo atual de crescimento deve levar a revisões para cima das estimativas", considera o banco de investimentos. O BBA afirma que, apesar da aceleração da receita na maior parte das marcas, a margem Ebitda apresentou leve expansão, reforçando a expectativa de margens amplamente estáveis ao longo do ano. O banco tem recomendação de compra para Fleury, com preço-alvo de R$ 19, o que implica um upside de 10%.
Santander: surpresa veio de D&A e resultado financeiro
Segundo o Santander, a surpresa positiva no lucro líquido do Fleury foi impulsionada principalmente por menores despesas com depreciação e amortização (D&A) e por um resultado financeiro melhor que o esperado. "Destacamos a forte execução operacional, o perfil resiliente de geração de resultados, o elevado potencial de geração de caixa e a baixa alavancagem, características que favorecem a companhia em um ambiente de mercado mais volátil", afirma em relatório.
O banco destaca que FLRY3 vem superando seus principais pares neste ano, com avanço de 15%, enquanto Hypera (HYPE3) cai 7% e Rede D'Or (RDOR3) tem perdas de 15%. "Dessa forma, parte desse desempenho já pode ter sido precificada nas últimas semanas", considera o Santander.
Neste momento, o Santander avalia que há espaço limitado para revisões positivas dos lucros e para reavaliação dos múltiplos, uma vez que a FLRY3 negocia a cerca de 12x lucro (P/L) estimado para 2027, com rendimento de dividendos de aproximadamente 7%. Isso leva os analistas a considerarem a ação como adequadamente precificada. Outro fator que deve pesar é a base de comparação elevada após crescimento de 12% da receita, além da expectativa de que o efeito calendário líquido seja negativo. O Santander tem recomendação neutra e preço-alvo de R$ 15,80.
BTG Pactual: consistência notável, mas valuation elevado
De acordo com analistas do BTG Pactual, o Fleury reportou um conjunto muito sólido de resultados do segundo trimestre, com forte crescimento orgânico, sólida geração de fluxo de caixa livre (FCF), margens saudáveis e robusta expansão do lucro líquido.
"Os resultados recentes da empresa têm apresentado consistência notável, combinando crescimento orgânico robusto e recorrente, margens saudáveis mesmo diante da maior participação das marcas regionais e sinais cada vez mais positivos de integração após a aquisição do Grupo Pardini", afirmou o banco, elevando o preço-alvo dos papéis de R$ 17 para R$ 18, mas mantendo a recomendação neutra. A nova precificação implica potencial de valorização de 4,2% em relação ao fechamento anterior.
"Neste estágio, embora reconheçamos que a Fleury apresenta fundamentos sólidos, consideramos que a ação negocia a um valuation elevado", acrescentou.
O que esperar do 3T26?
O consenso entre os bancos é que o terceiro trimestre será desafiador, com base de comparação elevada e possível efeito calendário negativo. Ainda assim, a forte execução operacional e a geração de caixa sustentam a tese de revisões positivas de lucro. Para quem acompanha o papel, o foco agora está na capacidade da companhia de manter o ritmo de crescimento da receita e das margens.
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Perguntas Frequentes
Por que a ação do Fleury saltou 14%?
O mercado reagiu ao balanço do 2T26, que trouxe lucro líquido de R$ 221,9 milhões, 45,7% acima do mesmo período de 2025 e acima do consenso de R$ 172 milhões. A receita e o Ebitda também vieram fortes.
Qual foi o lucro do Fleury no 2T26?
O lucro líquido foi de R$ 221,9 milhões, com avanço de 45,7% na comparação anual. A receita líquida somou R$ 2,31 bilhões, alta de 14,4%.
O que os bancos estão recomendando para FLRY3?
As recomendações variam: Safra e Itaú BBA têm compra, com preços-alvo de R$ 21,50 e R$ 19, respectivamente. Citi, Santander e BTG Pactual mantêm recomendação neutra, com preços-alvo entre R$ 15,80 e R$ 18.
O Fleury anunciou dividendos ou JCP?
Sim, a companhia anunciou R$ 218 milhões em JCP, equivalente a um rendimento de aproximadamente 2%, considerado um dos principais atrativos da tese de investimento.
O que pode pesar no 3T26?
A base de comparação elevada, após crescimento de 12% da receita, e o possível efeito calendário líquido negativo. Ainda assim, os bancos veem espaço para revisões positivas de lucro.
