As ações da SLC Agrícola (SLCE3) lideravam as altas da B3 nesta quarta-feira (9), após o JP Morgan elevar a recomendação de neutra para overweight, equivalente à compra, e escolher a companhia como favorita no agronegócio. Por volta das 11h30, SLCE3 avançava 6,71%, cotada a R$ 17,98, enquanto o Ibovespa caía 0,7%, aos 186.086 pontos.
O banco também elevou o preço-alvo para dezembro de 2027 de R$ 18 para R$ 23, potencial de valorização de aproximadamente 36% sobre o fechamento de terça-feira (8), de R$ 16,85. Para os analistas, o setor agrícola brasileiro pode estar perto de encerrar uma crise de cerca de três anos, marcada por compressão de margens e maior alavancagem.
Apesar dos riscos do El Niño, o JP Morgan vê combinação mais favorável entre preços de commodities e custos de produção. A SLC estaria mais bem posicionada por ter antecipado a compra de fertilizantes e feito proteções de preços em momentos favoráveis. A ordem de preferência do banco passou a ser SLC, 3tentos (TTEN3), São Martinho (SMTO3) e Adecoagro (AGRO).
O JP Morgan projeta Ebitda ajustado de R$ 3,2 bilhões para 2027, 11% acima da estimativa anterior, com margem de 34,2%. O lucro por ação de 2026 subiu 9,7%, para R$ 1,32, e o de 2027, 6,3%, para R$ 1,42. A SLC já protegeu quase metade da soja da safra 2026/27 a cerca de US$ 12 por bushel e 55% do algodão a US$ 0,79 por libra-peso.
A companhia adquiriu 70% dos fertilizantes nitrogenados para a próxima safra, além de 90% do potássio, 100% do fosfato e 96% dos defensivos. O El Niño segue como principal risco, com quedas de produtividade projetadas de 7% no algodão, 8% na soja e 15% no milho de segunda safra. O banco vê alavancagem caindo a cerca de duas vezes até o fim de 2027, com geração de caixa próxima de R$ 500 milhões.
Posições vendidas equivalem a cerca de 27% das ações em circulação, a segunda maior da bolsa, o que abre espaço para um short squeeze. A melhora, porém, não deve ser uniforme entre as empresas do setor, segundo o banco.