O Morgan Stanley alerta que, sem um ajuste fiscal crível, 2027 pode trazer um ciclo de prêmios de risco mais elevados, enfraquecimento do real, espaço limitado para cortes de juros pelo Banco Central (BC), atividade econômica mais fraca e deterioração da dinâmica da dívida. No cenário mais pessimista, o dólar à vista chegaria a R$ 6, a taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) de longo prazo alcançaria 18% e o Ibovespa (IBOV) desabaria aos 130 mil pontos. Segundo o banco, seria uma queda de 35% do Ibovespa em dólar e desvalorização de cerca de 25% em real.
A eleição brasileira é apontada como catalisador decisivo, embora a queda do índice seja amortecida por empresas exportadoras e bancos. As eleições de outubro indicam disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com segundo turno cada vez mais provável. Para o banco, Lula propõe continuidade do atual arcabouço fiscal e papel mais ativo do Estado, enquanto Flávio defende regras fiscais mais rígidas, redução da estrutura administrativa, privatizações e maior abertura comercial. A execução, porém, dependerá também da composição do Congresso e do mapa dos governos estaduais.
Os riscos são elevados porque o Brasil entra em 2027 com dívida crescente, mais de 91% dos gastos obrigatórios, espaço limitado para novos ajustes via receitas e regra de gastos enfraquecida por exceções. O cenário oficial do banco, no entanto, é menos catastrófico: dólar a R$ 5,25, bolsa em 215 mil pontos e DI longo em 15% ao final de 2027, em caso de continuidade das políticas, com o modelo econômico ainda impulsionado pelo estímulo fiscal. Nesse caso, o Morgan Stanley favorece empresas com receitas em moeda forte, instituições financeiras beneficiadas por juros elevados e defensivas de telecomunicações.
Na prática, o cenário pessimista significa juros mais altos por mais tempo e pressão sobre o consumo. O BC observa a inflação, e o real já opera perto de R$ 5,15, segundo dados recentes. A trajetória dependerá das eleições e da disposição do próximo governo em ajustar as contas públicas. cenário fiscal 2027