Exclusivo · Investimentos

Selic a 13,75%: Ibovespa, juros futuros e dólar pós-Copom

ResumoO Copom reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano em decisão unânime e já precificada pelo mercado. A queda de 0,25 ponto percentual sinaliza início do ciclo de afrouxamento monetário, com impacto direto no Ibovespa, nos juros futuros e na cotação do dólar frente ao real.

Copom cortou a Selic em 0,25 ponto, de 14% para 13,75% ao ano, em decisão unânime e já precificada. Entenda como Ibovespa, juros futuros e dólar devem reagir ao Copom nesta quinta-feira (17).

3 min de leituraPRO
Selic a 13,75%: Ibovespa, juros futuros e dólar pós-Copom
Foto: Viva Capital · Selic a 13,75%: Ibovespa, juros futuros e dólar pós-Copom · 17 set 2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, na quinta flexibilização dos juros e, mais uma vez, por decisão unânime. O corte veio em linha com o esperado pelo mercado, e os investidores agora tentam antecipar como o Ibovespa, a curva de juros futuros e o dólar devem reagir ao Copom no pregão desta quinta-feira (17).

O Copom decidiu reduzir a taxa básica para 13,75% ao ano e afirmou que a decisão é "compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante", segundo o comunicado. Desta vez, o colegiado trouxe poucas novidades em relação ao comunicado de agosto.

Ibovespa e o EWZ como prévia

Lá fora, o índice EWZ, fundo que replica o desempenho do índice MSCI Brasil com as principais ações da bolsa brasileira, subia 1,39%, a US$ 38, por volta das 19h (horário de Brasília). No pregão regular, encerrou com queda de 0,79%, a US$ 37,46.

Com essa prévia do EWZ, o Ibovespa (IBOV) deve ter reação mais amena à decisão, enquanto o exterior deve continuar ditando o desempenho do índice, segundo Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg. Augusto Parente, especialista em investimentos e fundador da AW Capital, compartilha a visão: "A Bolsa deve ter uma abertura positiva por o Banco Central não ter fechado a porta para novos cortes [na Selic] nas reuniões." Na quarta-feira (16), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 0,51%, aos 185.547,66 pontos.

Curva de juros e o movimento do DI

A equipe da Warren Rena espera movimento moderado da curva de juros futuros. "Não esperamos reação relevante no mercado de juros decorrente dessa decisão", afirmaram os estrategistas Luis Felipe Vital, Cecília Mazzoni e Felipe Figueiró. "O Copom entregou uma decisão em linha com a precificação majoritária do mercado e com alterações mínimas na comunicação", destacaram.

Antes da decisão, a curva já precificava um corte de 13 pontos-base na Selic na reunião de novembro. Nesta quarta-feira, a taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, ficou praticamente estável e fechou a 13,580%, ante 13,579% do ajuste anterior. Já o DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o dia a 14,190%, ante 13,375% do fechamento anterior (15), queda de quase 19 pontos-base.

Dólar pressionado pelo diferencial com os EUA

Nesta quarta-feira, o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,1514, com leve recuo de 0,07%, na contramão do desempenho do DXY.

Para Augusto Parente, da AW Capital, o real deve ter mais um dia negativo, com os investidores ainda digerindo a decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) de elevar os juros para a faixa de 3,75% a 4,00%. Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, observa que a combinação de redução dos juros no Brasil com o aumento das taxas nos EUA diminui o diferencial entre as duas economias. "Isso reduz, na margem, a atratividade do carry brasileiro e pode adicionar pressão sobre o real, principalmente em momentos de maior aversão global a risco, quando há busca por dólar e Treasuries", afirmou.

Nos EUA, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc) do Fed elevou os juros em 25 pontos-base pela primeira vez desde julho de 2023, para a faixa de 3,75% a 4,00%. Na coletiva, o presidente do Fed, Kevin Warsh, manteve tom hawkish ao afirmar que a "inflação está muito alta e já está assim há muito tempo". "Os índices de inflação deste verão não me indicam que as tendências subjacentes tenham melhorado significativamente", acrescentou.

Após Warsh, o mercado consolidou a aposta em nova alta nos juros até dezembro. Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 50,9% de chance de elevação na decisão de outubro, contra 49% de manutenção na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. Para a decisão seguinte, em dezembro, a aposta majoritária é de elevação, com 87,7% de probabilidade de pelo menos um ajuste de 25 pontos-base.

“Copom cortou a Selic em 0,25 ponto, de 14% para 13,75% ao ano, em decisão unânime e já precificada. Entenda como Ibovespa, juros futuros e dólar devem reagir ao Copom nesta quinta-feira (17).”
Patrícia Mendonça · Editor(a) Investimentos · Viva Capital PRO
Viva Capital Daily · Newsletter

O briefing que os CFOs do varejo brasileiro leem antes das 8h.

Análises diárias sobre meios de pagamento, crédito e bancos digitais. Direto na sua caixa, sem ruído. Já lida por mais de 47 mil profissionais do setor.

Você pode cancelar a qualquer momento. Sem spam.