A Bossa Invest chegou a R$ 608,5 milhões sob gestão, com 455 empresas investidas diretamente no Brasil. O número vem em um momento em que o venture capital brasileiro volta a ganhar tração: depois de movimentar US$ 4,126 bilhões em 2025, alta de 13,8% sobre o ano anterior, o mercado manteve o ritmo em 2026. Só no segundo trimestre, startups brasileiras captaram US$ 350 milhões, avanço de 20% em relação aos três primeiros meses do ano.
O segredo por trás dos números, segundo a gestora, não é apostar todas as fichas na próxima grande tese de tecnologia. É espalhar os aportes por diferentes frentes da economia. Hoje, o portfólio está distribuído por 42 verticais, entre fintechs, edtechs, agtechs, logística e HRtechs. A lógica é simples: setores não crescem no mesmo ritmo, nem necessariamente ao mesmo tempo.
"Quanto maior a diversidade de uma carteira, maior é a capacidade de acessar diferentes movimentos de crescimento da economia. Existem setores que avançam mais rapidamente em determinados ciclos e outros que ganham força em momentos distintos", afirma Paulo Tomazela, CEO da Bossa Invest.
Para o executivo, a exposição a diferentes mercados, modelos de negócio e perfis de consumidor permite ampliar as possibilidades de geração de valor no longo prazo sem deixar o desempenho da carteira dependente de uma única tese. No venture capital, em que poucos investimentos podem responder por uma parcela relevante do retorno de um portfólio, ampliar o número de teses também significa distribuir os riscos.
A estratégia acompanha uma mudança na forma como investidores analisam startups. Em vez de buscar o próximo setor da moda, entram na conta fatores como capacidade de execução, tamanho do mercado, eficiência do modelo de negócio, potencial de expansão e perspectivas de crescimento sustentável.
Para a Bossa, ter centenas de empresas no portfólio funciona também como um radar sobre transformações simultâneas em diferentes cadeias da economia. Serviços financeiros, educação, agronegócio, logística, gestão de pessoas e consumo estão entre os mercados em que a gestora acompanha empresas tentando digitalizar processos, reduzir ineficiências ou criar novos modelos de negócio.
"O investimento em startups não deve ser visto como uma tentativa de prever qual será o próximo setor vencedor, mas como uma estratégia de exposição a diferentes transformações estruturais da economia", diz Tomazela. Para ele, volume de oportunidades e capacidade de seleção precisam andar juntos: "O objetivo é identificar empresas bem posicionadas, com mercados relevantes e capacidade real de crescimento, e construir uma carteira que consiga capturar valor em diferentes ciclos."
Ainda assim, quem olha para esse mercado precisa de cautela. Cripto e venture capital têm um ponto em comum: a volatilidade e o risco de perda são reais. Diversificar reduz a dependência de uma única tese, mas não elimina a possibilidade de que parte dos investimentos não gere retorno. Como eu costumo repetir, tecnologia é antes de tudo uma aposta de longo prazo, e o valor investido precisa ser aquele que você aceita perder. como avaliar startups antes de investir