O Ibovespa (IBOV), principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,33% em reais em agosto. Mas, para quem investe em dólar, o tombo foi maior: levantamento da consultoria Elos Ayta mostra que o índice caiu 2,33% na conversão para a moeda norte-americana.
A diferença vem do câmbio. A Ptax, taxa de câmbio oficial do Banco Central, subiu 2,05% no período, e o dólar PTAX de venda fechou agosto em R$ 5,1816. Isso colocou o Brasil na penúltima posição entre 21 índices internacionais acompanhados pela consultoria.
"O efeito do câmbio ajuda a explicar a diferença entre a percepção do investidor brasileiro e a comparação internacional. Para quem acompanha a Bolsa em reais, agosto foi um mês de relativa estabilidade. Para o investidor estrangeiro, porém, a combinação entre a pequena queda do Ibovespa e a valorização do dólar produziu uma perda mais significativa", explica a Elos Ayta.
A saída de estrangeiros pesou. Até 28 de agosto, houve retirada de R$ 18,575 bilhões por parte dos investidores estrangeiros, segundo dados da B3. No acumulado de 2026, porém, a entrada líquida ainda é positiva: R$ 17,831 bilhões.
Enquanto o Ibovespa recuou, 13 dos 21 índices analisados pela Elos Ayta encerraram agosto com retorno positivo em dólar. O melhor desempenho foi do MSCI Nuam Peru, com alta de 4,83%, seguido pelo PSI, de Portugal, com 4,39%, e pelo BEL20, da Bélgica, com 4,37%. Nos Estados Unidos, o Nasdaq avançou 3,93% e o S&P 500, 2,62%.
Na outra ponta, apenas o S&P Merval, da Argentina, teve desempenho inferior ao brasileiro, com queda de 9,11% em dólares.
Para o investidor brasileiro, o recado é de atenção. Quem aplica em reais pode ter sentido agosto como um mês estável, mas a leitura internacional mostra um cenário mais duro, puxado pela fuga do capital externo e pela alta do dólar. Acompanhar o câmbio é tão importante quanto olhar o índice em si, especialmente em um ano de fluxo estrangeiro ainda positivo, mas volátil como o câmbio afeta seus investimentos.