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S&P rebaixa 3tentos (TTEN3) e vê novo corte de rating

ResumoA 3tentos (TTEN3) teve sua nota de crédito rebaixada pela S&P de brAA para brA+, com perspectiva negativa, devido à piora da rentabilidade, alavancagem e liquidez. A agência também revisou o Ebitda projetado para 2026 de R$ 1,27 bilhão para R$ 941 milhões, sinalizando possível novo corte de rating.

A S&P rebaixou a nota de crédito da 3tentos de brAA para brA+, com perspectiva negativa, citando piora da rentabilidade, alavancagem e liquidez. A agência revisou o Ebitda projetado para 2026 de R$ 1,27 bi para R$ 941 mi.

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S&P rebaixa 3tentos (TTEN3) e vê novo corte de rating
Foto: Viva Capital · S&P rebaixa 3tentos (TTEN3) e vê novo corte de rating · 10 set 2026

A agência de classificação de risco S&P Ratings rebaixou a nota de crédito da 3tentos (TTEN3) de brAA para brA+ na escala nacional brasileira. A perspectiva passou de estável para negativa, o que sinaliza risco de novo corte à frente.

A decisão reflete a deterioração da rentabilidade da companhia, o aumento da alavancagem e a piora da posição de liquidez. Em relatório, a S&P afirma que os resultados ficaram piores do que o esperado, com margens mais fracas no segmento industrial e contribuição mais lenta das novas capacidades produtivas.

O que a S&P enxerga por trás do rebaixamento

A agência revisou sua projeção de Ebitda para 2026 de R$ 1,27 bilhão para R$ 941 milhões. Os negócios de grãos e insumos cresceram em volume no primeiro semestre, mas têm margens menores que as operações industriais.

O segmento também sofreu com a queda dos preços do farelo de soja e do biodiesel, o aumento dos custos logísticos e a postergação da mistura obrigatória de biodiesel B16 para 2027. A nova planta de etanol de milho só iniciou operações em meados de junho deste ano, contribuindo pouco para o semestre.

Além do rating corporativo, a S&P reduziu a classificação das 1ª, 2ª e 3ª séries da 201ª emissão de CRAs da Opea Securitizadora, lastreados em créditos da 3tentos, de brAA (sf) para brA+ (sf).

Liquidez insuficiente e risco de novo corte

A avaliação de liquidez mudou de suficiente para insuficiente. A agência cita elevados vencimentos de curto prazo, necessidade de capital de giro e volume relevante de investimentos em andamento.

Em junho de 2026, a 3tentos tinha cerca de R$ 1,4 bilhão em caixa, contra aproximadamente R$ 1,8 bilhão em dívidas de curto prazo, além de R$ 366,8 milhões relacionados à TentosCap. Mesmo com a monetização de estoques de grãos de alta liquidez, a S&P estima que as fontes de caixa cubram apenas 0,9 vez os usos previstos para os próximos 12 meses.

A companhia depende da conversão de estoques em caixa e da manutenção do acesso ao crédito. Apesar do relacionamento sólido com bancos e do histórico de acesso ao mercado de capitais, a necessidade de refinanciamentos aumentou.

A perspectiva negativa reflete o risco de outro rebaixamento se a recuperação operacional e a conversão dos estoques em caixa ficarem abaixo do esperado, ou se a companhia não fortalecer a liquidez e reduzir a alavancagem no ritmo projetado. No cenário-base da S&P, a dívida ajustada sobre Ebitda deve ficar em torno de 2,3 vezes ao fim de 2026 e entre 2,0 e 2,5 vezes nos anos seguintes, com fluxo de caixa operacional livre negativo até 2027.

O rebaixamento ocorre em um momento ruim na bolsa. No ano, a ação cai 30%, com boa parte do tombo em uma única sessão, após reunião fechada entre a direção da 3tentos e o sell side em que a companhia teria revisado para baixo suas projeções. Várias casas cortaram as expectativas. Em relatório recente, o BBA reduziu o preço-alvo das ações de R$ 20 ao fim de 2026 para R$ 19.

Os analistas Gustavo Troyano, Bruno Tomazetto e Ryu Matsuyama dizem que o desempenho abaixo do esperado no segundo trimestre de 2026 foi um revés temporário, e não uma mudança estrutural na tese de investimento. Vale acompanhar os próximos balanços para ver se a recuperação operacional se confirma.

“A S&P rebaixou a nota de crédito da 3tentos de brAA para brA+, com perspectiva negativa, citando piora da rentabilidade, alavancagem e liquidez. A agência revisou o Ebitda projetado para 2026 de R$ 1,…”
Patrícia Mendonça · Editor(a) Investimentos · Viva Capital PRO
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