A rentabilidade de até IPCA + 8,1% ao ano, com isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, recolocou os títulos de crédito privado no radar dos investidores em setembro. Em relatório, o BB Investimentos selecionou cinco debêntures incentivadas que, na avaliação dos analistas, apresentam relação atrativa entre risco e retorno.
As indicações incluem papéis emitidos por Vibra, Equatorial Goiás, Neoenergia, MRS Logística e Engie. Todos têm classificação de crédito elevada, embora carreguem vencimentos longos, entre 2036 e 2040.
A maior rentabilidade indicativa da seleção vem da debênture da Vibra (VBBRA0), com retorno próximo de IPCA + 8,1% ao ano. Logo depois aparece o título da Equatorial Goiás (CGOSB0), negociado no mesmo patamar. As taxas foram estimadas com base no gráfico do BB e podem variar no mercado secundário.
Por que a isenção pesa tanto no cálculo
Além de proteger contra a inflação, os papéis oferecem taxas superiores às dos títulos públicos de prazos semelhantes. Segundo os cálculos apresentados pelo BB, a rentabilidade líquida equivalente dos títulos do Tesouro IPCA+, depois do imposto, varia aproximadamente entre IPCA + 6,4% e IPCA + 6,8% ao ano nos prazos comparáveis. Já os papéis selecionados pagam entre IPCA + 7,4% e IPCA + 8,1%.
Essa diferença é o prêmio de crédito: a remuneração extra oferecida ao investidor por assumir o risco de uma empresa privada em vez do risco soberano do governo. Para o investidor pessoa física, a isenção de IR das debêntures incentivadas amplia esse ganho relativo.
O contexto inflacionário ajuda a ler o número. Segundo o IBGE, o IPCA variou 0,07% em julho de 2026, depois de 0,16% em junho e 0,58% em maio. A trajetória mais contida nos últimos meses não elimina a proteção contratada no papel.
O que mudou no mercado entre março e maio
O mercado de crédito privado começou 2026 com prêmios bastante comprimidos, diante da forte procura dos investidores e da oferta limitada de títulos. Esse cenário mudou entre março e abril, quando o aumento da volatilidade e alguns eventos de crédito provocaram resgates em fundos e abertura dos spreads.
A abertura dos spreads pressionou temporariamente os preços dos papéis, mas também elevou as taxas disponíveis para novas aplicações. Para o BB, a correção esteve mais relacionada a fatores técnicos e de fluxo do que a uma deterioração generalizada dos fundamentos corporativos. Desde maio, o banco observa sinais de estabilização.
Ainda assim, a instituição mantém postura cautelosa e recomenda preferência por empresas de maior qualidade, estruturas de dívida robustas e negócios resilientes.
Quem acompanha esse mercado sabe que prêmio maior raramente vem de graça: vem de prazo longo e de risco de crédito. Vencimentos entre 2036 e 2040 exigem que o investidor aceite carregar o papel por anos, com oscilação de preço no meio do caminho se precisar vender antes. A isenção de IR é legal e está prevista para debêntures incentivadas, mas não elimina o risco do emissor. Vale conferir o vencimento e a classificação de crédito antes de decidir, e consultar um contador sobre como declarar os rendimentos isentos, que entram na ficha específica da declaração anual.