O Itaú BBA revisou para cima os preços-alvo de duas gigantes do setor de combustíveis e distribuição: Vibra Energia (VBBR3) e Ultrapar Participações (UGPA3). O relatório, divulgado em maio de 2026, mantém recomendação de compra para ambas, mas aponta qual delas oferece o maior potencial de valorização. A análise considera o cenário macroeconômico, a dinâmica de margens e os riscos específicos de cada companhia.
Qual é a mais atrativa?
Para o Itaú BBA, a Ultrapar (UGPA3) é a mais atrativa neste momento. O banco elevou o preço-alvo de R$ 30 para R$ 35 por ação, o que representa um upside potencial de cerca de 20% sobre o preço de fechamento anterior. A Vibra (VBBR3) também teve o preço-alvo revisado para cima, de R$ 25 para R$ 30, com potencial de valorização de aproximadamente 15%. A diferença reflete a percepção de que a Ultrapar tem maior exposição a combustíveis com margens mais previsíveis e uma estrutura de capital mais robusta.
Por que o Itaú BBA revisou os preços-alvo?
A revisão ocorre em um contexto de queda dos preços internacionais do petróleo, que alivia os custos de aquisição de combustíveis. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio da gasolina nas refinarias caiu 8% no acumulado de 2026 até maio. Isso melhora as margens das distribuidoras, que repassam parte da queda ao consumidor, mas mantêm ganhos operacionais.
Além disso, o banco destaca a perspectiva de crescimento do mercado de combustíveis no Brasil, impulsionado pela recuperação da atividade econômica. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,5% em 2025, segundo o IBGE, o que sustentou a demanda por diesel e gasolina.
Vibra (VBBR3): riscos e oportunidades
A Vibra é a maior distribuidora de combustíveis do país, com presença nacional. A empresa se beneficia de economias de escala e de uma ampla rede de postos. No entanto, o Itaú BBA aponta que a Vibra tem maior exposição ao mercado de diesel, que é mais sensível ao ciclo econômico e à margem de refino.
Outro ponto de atenção é o nível de alavancagem financeira. A Vibra carrega uma dívida líquida de R$ 8 bilhões, o que representa 2,5 vezes o EBITDA. Em um cenário de juros elevados, com a Selic em 9,75% ao ano, segundo o Banco Central, o custo financeiro pesa mais sobre o resultado.
Ultrapar (UGPA3): margens mais estáveis
A Ultrapar, controladora da Ipiranga, tem um portfólio mais diversificado, com atuação em combustíveis, químicos (Oxiteno) e logística (Ultracargo). Essa diversificação reduz a volatilidade dos resultados. O Itaú BBA destaca que a margem EBITDA da Ultrapar no segmento de combustíveis é historicamente mais estável do que a da Vibra.
A empresa também possui uma estrutura de capital mais confortável. A dívida líquida é de R$ 5 bilhões, equivalente a 1,8 vezes o EBITDA. Com menor alavancagem, a Ultrapar sofre menos impacto com a alta da Selic.
Comparativo de valuation: qual ação comprar?
| Indicador | Vibra (VBBR3) | Ultrapar (UGPA3) | |-----------|---------------|------------------| | Preço-alvo (Itaú BBA) | R$ 30 | R$ 35 | | Upside potencial | ~15% | ~20% | | Dívida líquida/EBITDA | 2,5x | 1,8x | | Recomendação | Compra | Compra |
O Itaú BBA considera que a Ultrapar oferece um melhor equilíbrio entre risco e retorno. O upside maior, combinado com menor alavancagem e margens mais estáveis, faz dela a escolha preferida do banco.
O que esperar para o setor de combustíveis?
O setor de distribuição de combustíveis enfrenta desafios regulatórios e fiscais. A política de preços da Petrobras, que segue o mercado internacional, pode trazer volatilidade. Além disso, mudanças na tributação, como a reforma tributária, podem impactar a estrutura de custos das empresas.
Por outro lado, a demanda por combustíveis deve continuar crescendo, impulsionada pelo agronegócio e pela logística. A Ultrapar, com sua diversificação, está mais protegida contra choques setoriais.
Perguntas Frequentes
Qual ação tem maior potencial de valorização?
Segundo o Itaú BBA, a Ultrapar (UGPA3) tem maior potencial, com upside de cerca de 20% sobre o preço-alvo de R$ 35.
Por que o Itaú BBA elevou os preços-alvo?
A revisão reflete a queda dos preços internacionais do petróleo, que melhora as margens das distribuidoras, e a perspectiva de crescimento da demanda doméstica.
Qual empresa tem menor risco financeiro?
A Ultrapar, com dívida líquida de 1,8 vezes o EBITDA, tem menor alavancagem do que a Vibra (2,5 vezes).
A recomendação é de compra para as duas ações?
Sim, o Itaú BBA mantém recomendação de compra para ambas, mas aponta a Ultrapar como a mais atrativa.
Onde encontrar o relatório completo do Itaú BBA?
O relatório está disponível para clientes do banco. Investidores podem consultar suas corretoras para acesso.
