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Ações vencedoras com corte maior na Selic, diz BofA

ResumoO Bank of America aponta Equatorial e Ecorodovias como as ações mais beneficiadas por um ciclo mais profundo de cortes na Selic. A queda da taxa básica de juros reduz o custo de capital dessas empresas, favorece setores alavancados e pressiona a rentabilidade da renda fixa, incentivando a migração de investidores para ativos de maior risco.

Analistas do Bank of America veem Equatorial e Ecorodovias como as maiores beneficiadas por um ciclo mais profundo de cortes na Selic. Entenda o que isso muda para quem investe em renda fixa.

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Ações vencedoras com corte maior na Selic, diz BofA
Foto: Viva Capital · Ações vencedoras com corte maior na Selic, diz BofA · 14 set 2026

Analistas do Bank of America (BofA) apontam que um ciclo mais intenso de redução da taxa Selic pode favorecer ações de empresas com receitas previsíveis, forte geração de caixa e alta sensibilidade aos juros. Segundo o banco, esse grupo tende a se beneficiar caso o Banco Central (BC) mantenha o ritmo de cortes até o fim de 2027. A Selic meta permanece em 14,00% ao ano, patamar que ainda sustenta a atratividade da renda fixa, mas que, em queda, muda a lógica de comparação entre os produtos.

Quando os juros caem, o valor presente dos fluxos de caixa futuros aumenta. É por isso que o BofA destaca as chamadas "proxies de títulos", empresas que oferecem rendimentos previsíveis e são frequentemente comparadas a investimentos de renda fixa. Eu, que acompanho renda fixa há anos, vejo essa relação de perto: entender o juro é metade do investimento, e é ele que dita o quanto cada produto entrega.

Entre todas as ações analisadas, a Equatorial (EQTL3) e a Ecorodovias (ECOR3) aparecem como as maiores apostas para um cenário de afrouxamento monetário mais profundo. Segundo o BofA, a Equatorial reúne uma combinação atraente de crescimento e sensibilidade às taxas: duração de fluxo de caixa estimada em cerca de 12 anos, TIR real próxima de 12% e potencial de capturar valor com aquisições no setor de distribuição de energia e possíveis melhorias regulatórias. "A empresa é hoje uma das concessionárias mais expostas aos benefícios de juros menores no curto prazo", apontam os analistas.

Já a Ecorodovias surge como a oportunidade mais descontada dentro do universo de concessões, com TIR real estimada em aproximadamente 17%, a mais elevada entre os nomes acompanhados pelo banco. A companhia pode ter reprecificação relevante caso os cortes da Selic sejam mais rápidos ou mais profundos do que o mercado espera.

Para quem busca proteção sem abrir mão do ganho potencial com a queda dos juros, o banco destaca duas empresas. No setor elétrico, a preferência é pela Isa Energia (ISAE4), que combina retorno real estimado em cerca de 10% com potencial adicional de valorização superior a 15% caso solucione seu passivo previdenciário, evento esperado para os próximos anos. Em concessões rodoviárias, a escolha é a Motiva (MOTV3), que negocia com TIR real próxima de 11% e pode ser beneficiada por revisões contratuais e discussões de reequilíbrio regulatório.

Outra empresa que chama atenção do BofA é a Axia Energia (AXIA3). Os analistas afirmam que a companhia consegue performar tanto em cenários de maior apetite por risco quanto em momentos mais defensivos. O principal atrativo está no dividend yield projetado, entre 11% e 15% para 2026 e 2027, além da menor duração dos fluxos de caixa, característica que reduz parte dos riscos típicos de empresas de infraestrutura.

Apesar da previsibilidade dos resultados, o setor de shopping centers perdeu parte do brilho. O relatório destaca que as empresas continuam entregando números financeiros robustos, mas apresentam desaceleração operacional que reduz as chances de uma forte reavaliação em Bolsa. Mesmo assim, a Allos (ALOS3) permanece como a favorita do segmento, com dividend yield estimado em 13%, considerado atrativo entre os pares.

O banco também mantém visão cautelosa para telecomunicações. Embora os papéis da Telefônica (VIVT3) e da TIM (TIMS3) tenham sofrido correções recentes, os analistas consideram que os múltiplos ainda não ficaram suficientemente baratos para justificar uma recomendação mais positiva.

Para o investidor conservador, a leitura prática é comparar prazos e liquidez. Um CDB com liquidez diária e um título com vencimento em 2027 reagem de formas diferentes à queda da Selic. Se o ciclo de cortes se confirmar, a renda fixa pós-fixada perde atratividade relativa, enquanto produtos prefixados e ações sensíveis a juros ganham espaço. Não se trata de abandonar a segurança, mas de entender que cada objetivo pede um produto diferente.

“Analistas do Bank of America veem Equatorial e Ecorodovias como as maiores beneficiadas por um ciclo mais profundo de cortes na Selic. Entenda o que isso muda para quem investe em renda fixa.”
Roberto Yokota · Editor(a) Investimentos · Viva Capital PRO
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