O Itaú BBA promoveu três mudanças em sua carteira recomendada de ações para setembro, em uma tentativa de proteger o portfólio de um cenário mais adverso para a Bolsa brasileira. Nubank (ROXO34), Sabesp (SBSP3) e Bradesco (BBDC4) deixaram a seleção. Em seus lugares, entraram BTG Pactual (BPAC11), Eneva (ENEV3) e Suzano (SUZB3).
A reformulação revela uma postura mais defensiva do banco. O Itaú BBA diminuiu a exposição ao crédito para pessoas físicas e aumentou a presença de companhias com receitas contratadas, negócios dolarizados ou menor dependência da economia brasileira.
A troca do Nubank pelo BTG Pactual reflete a preocupação do Itaú BBA com o endividamento das famílias, os juros elevados e o possível aumento da inadimplência no crédito ao consumidor. Embora tenha mantido exposição ao setor financeiro, o banco optou por uma instituição com fontes de receita mais diversificadas. Segundo a carta, o BTG combina crescimento consistente dos lucros e rentabilidade elevada, além de apresentar revisões positivas de resultados mesmo em um ambiente mais difícil para os bancos de varejo. O BTG atua em áreas como banco de investimento, crédito corporativo, negociação de ativos, gestão de recursos e gestão de patrimônio. Essa diversificação reduz sua dependência direta do consumo das famílias.
A Eneva entrou na carteira no lugar da Sabesp. Para o Itaú BBA, a companhia de energia oferece maior previsibilidade de resultados, apoiada pelo aumento das receitas contratadas. O banco também vê oportunidades que ainda não estariam totalmente incorporadas ao preço da ação, como os ganhos com o acionamento das usinas termelétricas, a comercialização de gás e energia e a necessidade crescente de flexibilidade no sistema elétrico brasileiro. Novos projetos no leilão de reserva de capacidade e a flexibilização operacional de ativos também aparecem como possíveis gatilhos para a empresa.
Já a entrada da Suzano no lugar do Bradesco representa uma redução adicional da exposição ao crédito brasileiro. Com vendas concentradas no exterior e receitas em dólar, a produtora de celulose tem menor correlação com a atividade econômica doméstica. A ação também pode funcionar como uma proteção parcial contra riscos fiscais, cambiais e eleitorais. Mesmo com os preços da celulose ainda pressionados, o Itaú BBA avalia que a Suzano negocia a múltiplos descontados e mantém uma geração de caixa atrativa.
A mudança ocorre depois de um agosto marcado pela saída de aproximadamente R$ 18,5 bilhões de investidores estrangeiros da Bolsa brasileira. O Ibovespa encerrou o mês com queda de 0,3%, após chegar a acumular perda de 6,5% até o dia 18. Para o Itaú BBA, a recuperação nas últimas semanas não eliminou os fatores de risco para o mercado.
No exterior, as tensões no Oriente Médio mantiveram o petróleo em níveis elevados, reforçando as preocupações com a inflação. Ao mesmo tempo, os juros dos títulos de longo prazo dos Estados Unidos subiram diante das dúvidas sobre a trajetória da dívida pública norte-americana. O avanço da inteligência artificial também desviou parte do fluxo destinado aos mercados emergentes para países como Taiwan e Coreia do Sul, que concentram grandes fabricantes de chips e memória.
No Brasil, a eleição e as incertezas fiscais reduziram ainda mais o interesse dos estrangeiros. O Itaú BBA observa que até mesmo empresas com resultados positivos foram penalizadas: cerca de 85% dos balanços do segundo trimestre ficaram em linha ou acima das projeções da casa, mas 52% das ações caíram no pregão seguinte à divulgação. "Em agosto, a dinâmica dos fluxos globais e as condições macroeconômicas se sobrepuseram aos fundamentos apresentados isoladamente pelas empresas", afirma a instituição.
O corte da Selic para 14% ao ano e a desaceleração da inflação ofereceram algum alívio. O cenário-base do Itaú prevê mais uma redução de 0,25 ponto percentual em setembro. Ainda assim, o movimento deve permanecer em segundo plano enquanto o fluxo estrangeiro, a disputa eleitoral e os juros internacionais continuarem ditando o humor dos investidores.
Em agosto, a carteira Top 5 caiu 0,7%, desempenho 0,4 ponto percentual inferior ao do Ibovespa. No acumulado de 2026, a seleção avançou 1,9%, ante alta de 10,1% do índice. Desde sua criação, em janeiro de 2016, porém, a carteira acumula valorização de 1.197%, frente a 342% do Ibovespa.