O Santander promoveu uma mudança na sua Carteira Valor para setembro: tirou as ações do Bradesco (BBDC4) e colocou os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4). A troca acontece depois de uma revisão das estimativas da equipe do banco, que passou a ver o Itaú como a principal preferência entre os bancos sob sua cobertura.
Apesar da saída da carteira, o Santander mantém visão construtiva sobre o Bradesco, com recomendação de compra para BBDC4. Os analistas seguem com os papéis entre as escolhas da Carteira Ibovespa+, com peso de 10%. A preferência pelo Itaú, segundo o banco, está ligada ao cenário mais desafiador para o crédito e a inadimplência no sistema financeiro brasileiro.
Os analistas elevaram ligeiramente o preço-alvo do Itaú, com projeção de R$ 51 para 2027, contra R$ 50 para 2026. A recomendação de compra foi reiterada. O Santander destaca o histórico de disciplina do Itaú na concessão de empréstimos, a rentabilidade estruturalmente superior e a capacidade de sustentar retornos atrativos ao longo dos ciclos econômicos. "Em um cenário mais desafiador para o crédito, enxergamos o Itaú com histórico consistente de disciplina na concessão de empréstimos, rentabilidade estruturalmente superior e capacidade comprovada de sustentar retornos atrativos ao longo dos ciclos econômicos", afirmam os analistas.
Caso as condições macroeconômicas e de crédito continuem pressionadas, os investidores tendem a migrar para ativos mais defensivos, e o Itaú poderia se beneficiar de uma realocação de recursos de outros bancos listados e até de outros setores, como o de seguros.
A preferência também se apoia nos resultados recentes do Itaú. No segundo trimestre de 2026, o banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 12,4 bilhões, alta de 8% na comparação anual. O retorno sobre patrimônio líquido médio (ROAE) ficou em 24%. O crescimento da carteira de crédito ficou concentrado em linhas com garantias, a inadimplência permaneceu estável e a margem financeira ajustada ao risco ficou praticamente inalterada. A eficiência operacional se manteve em 37%.
Por outro lado, as receitas de prestação de serviços continuaram fracas. Com isso, o Itaú reduziu o guidance de crescimento dessas receitas para 2026, para uma faixa de 2% a 5%, ante a projeção anterior de 5% a 9%.
A retirada do Bradesco da Carteira Valor não muda a recomendação para o banco. A diferença está na preferência dentro do setor: em ambiente de crédito mais difícil, o Itaú é visto como a alternativa defensiva mais natural entre os bancos cobertos.
A Carteira Valor reúne as cinco principais recomendações do Santander Research para o mês, com objetivo de superar o Ibovespa no longo prazo. Em setembro, a composição passou a contar com Itaú Unibanco, Copel (CPLE3), Multiplan (MULT3), Sabesp (SBSP3) e Vale (VALE3). A carteira acumula queda de 14,46% em 2026 até agosto, enquanto o Ibovespa sobe 10,11% no mesmo período. Em 12 meses, a carteira recua 8,03%, ante alta de 25,45% do índice.