# PF apura aporte de R$ 97 mi do Iprev Maceió no Master

> A Polícia Federal apura aporte de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência de Maceió (Iprev Maceió) no Banco Master. A investigação, com apoio da CGU, cumpre buscas e bloqueia bens de seis investigados sob suspeita de gestão fraudulenta. O caso envolve aplicação de recursos previdenciários municipais em instituição financeira privada.

*Viva Capital · Investimentos · 10 de agosto de 2026 · Henrique Salomão*

PF e CGU cumprem buscas sobre aplicação de R$ 97 milhões do Iprev de Maceió no Banco Master. Seis investigados, bens bloqueados e suspeita de gestão fraudulenta.

## PF apura aporte de R$ 97 milhões de previdência de Maceió no Master

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram, nesta segunda-feira (10), uma operação para aprofundar as investigações sobre supostas irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras do Banco Master.

## O que a operação investiga

O Banco Master, pertencente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025, por determinação do Banco Central (BC). Ao anunciar a medida, o BC informou que o Master havia violado as normas do Sistema Financeiro Nacional e sofria com uma grave crise de liquidez.

A suspeita de possível gestão fraudulenta recai sobre duas aplicações de recursos do Iprev em letras financeiras emitidas pelo Master: em dezembro de 2023, o instituto aplicou R$ 97 milhões; em maio de 2024, mais R$ 17 mil.

## Quem são os investigados

Oito mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpridos em cidades de Alagoas e São Paulo. Os alvos incluem:

- João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió, que integrava o Conselho de Administração do Iprev à época dos fatos;
- Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do Iprev;
- Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev;
- Renan Foglia Calamia, dirigente da empresa de consultoria Crédito & Mercado;
- Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda;
- Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos do Iprev.

## Apreensões e indisponibilidade de bens

Mendonça autorizou os agentes federais a apreenderem computadores, discos rígidos, pendrives e outras mídias; telefones pessoais ou corporativos; documentos físicos, agendas, anotações, contratos, comprovantes financeiros e outros elementos probatórios em endereços residenciais e comerciais ligados aos seis investigados, além das sedes do Iprev e da Crédito & Mercado de Valores Mobiliários LTDA.

Além disso, foi decretada a indisponibilidade dos bens móveis e imóveis, bem como de valores dos investigados, até o limite global de R$ 97 milhões.

## O papel da consultoria Crédito & Mercado

Segundo a PF, a empresa de consultoria foi contratada pelo Iprev e teria participado da condução do credenciamento, da elaboração e da validação de análises e da formação documental das operações junto ao Master, caracterizando a "terceirização indevida da competência administrativa" do instituto de previdência.

## Indícios apontados pela PF

As investigações buscam esclarecer as circunstâncias do processo de credenciamento, de cotação, de análise de risco, de governança e de tomada de decisão que antecederam os investimentos. Em sua decisão, o ministro André Mendonça afirma que a PF assegura ter indícios de "possível direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida".

"De acordo com a autoridade policial, as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) teriam sido preenchidas com justificativas genéricas e padronizadas, sem estudo comparativo de alternativas, análise suficiente de risco de crédito, avaliação de liquidez, exame da cláusula de subordinação ou motivação concreta para a escolha do Banco Master", assinalou Mendonça.

## O que diz o Iprev

Em nota, o Iprev informou que "os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis". Segundo o instituto, o patrimônio passou de cerca de R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, o que garante "a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas". O Iprev disse ainda que está colaborando com as autoridades.

A reportagem ainda não conseguiu contato com os investigados citados. O espaço segue aberto para manifestação dos interessados.

## Perguntas Frequentes

### O que é o Iprev de Maceió?

O Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) é o órgão responsável pela gestão previdenciária dos servidores do município. Ele é o centro das investigações sobre o aporte de R$ 97 milhões no Banco Master.

### Por que o Banco Master foi liquidado?

O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025, por determinação do Banco Central, que apontou violação às normas do Sistema Financeiro Nacional e grave crise de liquidez.

### O que acontece com os servidores de Maceió?

O Iprev afirma que o patrimônio atual de mais de R$ 1,6 bilhão garante a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas. A investigação segue em andamento.

### Quais são os próximos passos da investigação?

A PF e a CGU buscam esclarecer o processo de credenciamento, análise de risco e tomada de decisão que antecederam os investimentos. Os bens dos investigados estão indisponíveis até o limite de R$ 97 milhões.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/investimentos/pf-apura-aporte-r-97-milhoes-previdencia-maceio-master/
