Ouro recua 1% com falas de dirigentes dissidentes do Fed
O ouro encerrou o pregão desta sexta-feira (31) em queda, pressionado por comentários de dirigentes do banco central dos Estados Unidos que sinalizaram uma possível alta nos juros. O metal dourado perdeu força diante do avanço do dólar e dos Treasuries, movimento já observado desde a decisão do Federal Reserve (Fed) e a coletiva de imprensa do presidente da autoridade monetária, Kevin Warsh.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para agosto encerrou em baixa de 1,24%, a US$ 4.049,1 por onça-troy, caindo 0,51% na semana. No mês, o movimento foi de queda de 0,8%. Já a prata para setembro caiu 2,08%, a US$ 57,78 por onça-troy, perdendo 1,9% na semana. No mês, a baixa foi de 4,5%.
Por que o ouro caiu com as falas do Fed?
O gatilho da queda foi a sinalização de aperto monetário. O presidente da unidade do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, defendeu que o BC norte-americano aperte a política monetária de forma gradual, para reduzir o risco de a inflação se tornar persistente em um patamar mais alto. Kashkari foi um dos dissidentes que votou por uma alta de 0,25 ponto percentual na reunião de julho.
Já a presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, afirmou nesta sexta-feira que as condições do mercado de trabalho, do consumo e dos mercados financeiros indicam que a política monetária dos Estados Unidos "não está restringindo a economia", reforçando sua avaliação de que os juros deveriam ter sido elevados em 0,25 pp na reunião desta semana.
O que dizem os números: probabilidade de alta em setembro
Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de uma alta de 25 pontos-base (pb) em setembro passou de 55,3% há uma semana para 63,4% ontem e chegou a 67% nesta sexta. Ou seja, o mercado passou a precificar com mais força um novo aperto, o que tende a pressionar ativos que não pagam juros, como o ouro.
Impacto no ouro e na prata
A queda do ouro reflete diretamente esse cenário. Quando os juros sobem, o custo de oportunidade de manter o metal, que não rende dividendos, aumenta. A prata, por sua vez, sofreu ainda mais, com baixa de 2,08% no dia e 4,5% no mês.
O que esperar do ouro nas próximas semanas?
A trajetória do metal depende dos próximos dados de inflação e das decisões do Fed. Se a probabilidade de alta em setembro continuar subindo, o ouro pode testar novos suportes. Por outro lado, qualquer sinal de desaceleração econômica pode reverter o movimento.
Como quem acompanha o mercado de metais há anos sabe, o ouro é um ativo sensível a expectativas de juros reais. Não é uma aposta de curto prazo, mas uma proteção de portfólio. A volatilidade é alta, e o risco de perda é real.
Perguntas Frequentes sobre o ouro e o Fed
O que é a Comex?
A Comex é a divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), onde são negociados contratos futuros de ouro, prata e outros metais.
Por que o ouro cai quando os juros sobem?
Porque o ouro não paga juros. Com juros mais altos, o custo de oportunidade de manter o metal aumenta, e investidores migram para ativos que rendem.
O que é a ferramenta FedWatch?
É uma ferramenta do CME Group que calcula a probabilidade de mudanças na taxa de juros dos EUA com base nos preços dos contratos futuros.
Quem são os dirigentes do Fed citados?
Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, e Lorie Logan, presidente do Fed de Dallas, ambos defensores de um aperto monetário mais agressivo.
O ouro pode perder mais valor?
Sim, se o Fed confirmar alta de juros em setembro, o ouro pode continuar sob pressão. Mas o mercado também pode reagir a dados econômicos que mudem essa expectativa.