A Strategy, maior detentora de bitcoins de capital aberto do mundo, protagonizou uma operação que desafia o senso comum do mercado. O CEO Phong Le defendeu a venda de algumas unidades de bitcoin (BTC) para, semanas depois, recomprá-las por um preço 30% maior. Na prática, a companhia vendeu na baixa e comprou na alta, invertendo a lógica tradicional de "comprar na baixa e vender na alta".
A jogada, classificada como pouco ortodoxa, é comum no mercado financeiro. O termo "heterodoxo" significa apenas diferente, embora tenha ganhado conotação negativa. Michael Burry, investidor conhecido por operações fora do padrão antes da crise de 2008, é um exemplo de que o tempo pode absolver estratégias não convencionais. Le, por sua vez, não se intimidou com os entrevistadores e afirmou que a operação faz sentido para a empresa.
Enquanto isso, a Strategy voltou a comprar US$ 370 milhões em bitcoin, a um preço médio de US$ 80.318 por unidade. A companhia de Michael Saylor agora detém 845.050 BTCs, avaliados em cerca de US$ 66,1 bilhões. O preço médio global das moedas ficou em US$ 75.412, com custo total de aproximadamente US$ 63,73 bilhões, incluindo taxas e despesas.
Outros destaques da semana: o CEO da Coinext, José Arthur Ribeiro, anunciou o encerramento das atividades da exchange de varejo, citando questões regulatórias. Na Coreia do Sul, o bitcoin apresentou um prêmio de cerca de 1% em relação ao preço em dólares na Binance, fenômeno conhecido como "kimchi prize". Já na Argentina, 94% das negociações de cripto são para converter a moeda em "dólar digital", segundo a a16z.
A operação da Strategy ainda será julgada pelo tempo. Como diz o ditado, a história condena ou absolve. Até lá, reste ao investidor acompanhar os desdobramentos com cautela, lembrando que cripto é tecnologia antes de ser aposta, e a volatilidade é regra, não exceção.