A Marcopolo (POMO4) trata a eletrificação dos ônibus como tendência irreversível, mas não aposta todas as fichas no motor 100% elétrico. Em entrevista ao Money Times, o CEO André Armaganijan afirmou: "O caminho do elétrico é um caminho sem volta. Ele realmente veio para ficar". Ainda assim, o executivo ressalvou que a eletrificação "vem para compartilhar espaço com outras alternativas".
A estratégia reflete as diferenças entre os mercados onde a fabricante atua. Infraestrutura de recarga, disponibilidade de energia, custo do veículo e capacidade de financiamento podem tornar uma tecnologia mais adequada que outra, dependendo da região.
Segundo Armaganijan, a venda de ônibus elétricos cresce ano a ano, mas em velocidade menor do que muitas projeções anteriores. Um dos principais obstáculos é a falta de uma rede de recarga adequada, que dificulta operar frotas elétricas em escala. Há também a questão financeira: "É um produto que realmente é mais caro do que um ônibus a diesel", afirmou. Isso exige condições de financiamento capazes de compensar o investimento inicial mais elevado.
Apesar das limitações, a Marcopolo já vendeu, até agosto de 2026, mais ônibus elétricos do que em todo o ano passado.
Entre as alternativas, a companhia aposta no híbrido a etanol, em que um motor a etanol carrega a bateria enquanto a tração é elétrica. A solução aproveita a disponibilidade de etanol de cana-de-açúcar no Brasil. Na Argentina, as reservas de gás de Vaca Muerta abrem espaço para soluções a gás natural. O hidrogênio também está no radar, mas o executivo classifica a tecnologia como incipiente, principalmente pelo custo de produção do combustível. A Marcopolo já produziu ônibus a hidrogênio para Colômbia, Chile, Austrália e Brasil.
A experiência ajuda a explicar por que a empresa evita uma aposta única. Para o CEO, o ônibus do futuro será mais tecnológico, com sensores, conectividade e inteligência artificial, tanto para melhorar a experiência do passageiro quanto para reduzir custos dos operadores. A tese é que essa tecnologia resulte em maior eficiência operacional.
A transição energética é só parte da transformação. Quem acompanha o setor há anos sabe que a eletrificação não apaga, de uma hora para outra, a infraestrutura já instalada de diesel, gás e etanol. Na minha leitura, a Marcopolo adota uma postura pragmática: em vez de escolher um vencedor, ela se posiciona para atender cada mercado com a tecnologia mais viável. O risco, claro, é que uma aposta errada em uma dessas frentes pese no balanço. Mas a diversificação reduz a exposição a uma única transição.
investir em Marcopolo POMO4
Para o investidor, o ponto de atenção é a execução: a companhia precisa mostrar que consegue escalar a produção de elétricos sem comprometer margens, enquanto mantém as linhas tradicionais. Ainda assim, a mensagem do CEO reforça que o elétrico veio para ficar, mas não sozinho. análise de ações de montadoras