O Banco Safra ouviu assessores de investimento para o segundo semestre de 2026 e o retrato que saiu foi de mercado construtivo, mas com o pé no freio. A expectativa é de valorização moderada da Bolsa brasileira até o fim do ano, enquanto a postura defensiva segue dominando as carteiras diante das incertezas fiscais e políticas.
Segundo a pesquisa, cerca de 90% dos assessores acreditam que o Ibovespa (IBOV) encerrará 2026 acima dos 160 mil pontos. A maior parte aposta na faixa entre 160 mil e 180 mil pontos, o que sinaliza visão positiva sem euforia. Leia também o que move o Ibovespa no dia a dia.
As correções de julho e agosto foram lidas como oportunidade de entrada em ações, mas a preferência continua em carteiras de perfil neutro ou defensivo. Não é um mercado de apostas grandes. É um mercado de escolhas cirúrgicas.
Onde mora o risco
Os principais riscos apontados estão no cenário doméstico. Situação fiscal do país e eleições de 2026 lideram as preocupações e, juntas, somam 76% das respostas. Quando o assunto é especificamente o processo eleitoral, 54% dos assessores dizem acreditar que as eleições tendem a exercer influência negativa sobre o Ibovespa.
Setores favoritos
O setor financeiro segue como principal favorito, com 32% das respostas. Na sequência aparecem telecomunicações (23%), utilidades básicas, como energia elétrica e saneamento (18%), e empresas ligadas a commodities (17%). A lógica é a busca por companhias mais resilientes, com previsibilidade de resultados e forte geração de caixa.
Do outro lado, setores dependentes do ciclo doméstico, como consumo, educação e construção civil, seguem entre os menos atrativos.
Ainda segundo o levantamento, a tecnologia global aparece como principal tese para o segundo semestre, com 35% das respostas, com destaque para empresas ligadas à infraestrutura da cadeia de inteligência artificial, incluindo fornecedores de hardware, data centers e semicondutores.
No campo das taxas, 87% dos participantes esperam que a Selic encerre 2026 entre 13% e 14%, cenário que ajuda a explicar a preferência por estratégias conservadoras e a forte presença da renda fixa nas carteiras.
Para quem empreende, o recado é o mesmo que repito para mim quando olho o caixa da minha loja: período de incerteza não é hora de apostar o capital de giro. É hora de separar o que é reserva do que é risco e só colocar na Bolsa aquilo que não faz falta no mês seguinte. como separar as contas PJ e PF.