A Oncoclínicas (ONCO3) informou ao mercado, na noite de quarta-feira (25), que o colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu a favor da exigibilidade de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) sobre a empresa. A decisão, que envolve a gestora Latache, a gestora americana Centaurus e o Goldman Sachs, pode resultar em uma oferta avaliada em mais de R$ 6 bilhões.
A discussão começou com uma reorganização societária feita pela Oncoclínicas em novembro de 2024. Na época, o fundo Josephina III, veículo da Centaurus, passou a deter diretamente 31,83% do capital da companhia. Esse movimento, em tese, dispararia o poison pill, mecanismo que protege acionistas minoritários ao exigir uma OPA quando um investidor ultrapassa 15% de participação.
A área técnica da CVM, inicialmente, entendeu que o mecanismo não foi acionado, pois a Centaurus já detinha participação indireta relevante desde 2018, antes do IPO de 2021. O estatuto prevê que acionistas com participação anterior à abertura de capital ficam isentos da poison pill. No entanto, o colegiado da autarquia decidiu contra esse entendimento da Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE), votando a favor da obrigatoriedade da OPA.
Se a oferta for concretizada, a Centaurus poderá pagar até R$ 16 por ação, considerando um prêmio de 120% sobre a maior cotação em determinado período. O valor é bem superior ao preço atual dos papéis, que giram em torno de R$ 1,75, após uma alta de cerca de 52% nos últimos cinco dias. Na prática, o dinheiro não irá para a Oncoclínicas, que enfrenta recuperação, mas para os acionistas que tiverem direito de vender os papéis.
Uma das questões em aberto é a data em que a obrigação da OPA teria surgido. O benefício pode ser limitado aos investidores que já possuíam ações em novembro de 2024, quando a Centaurus apareceu diretamente com 16,05% da companhia. Quem comprou depois pode não receber o mesmo valor, ou até ficar fora da oferta, dependendo da decisão da CVM e dos desdobramentos na arbitragem e na Justiça.