O mercado acompanhou de perto os resultados da Nvidia (NVDA) nesta semana, em meio à discussão sobre a força do ciclo de investimentos em inteligência artificial (IA) e a capacidade das empresas de transformar os aportes bilionários no setor em rentabilidade.
Para Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, os números apresentados pela Nvidia foram fortes, principalmente pelo desempenho da divisão de data centers e pelo guidance da companhia. Em entrevista ao Giro do Mercado, Gass afirmou que "agora a discussão não é tanto sobre até quando dura o ciclo de IA, mas sobre quando eles conseguem entregar". A tese de investimentos em IA segue válida e "a todo vapor".
Apesar do desempenho, o especialista destaca que os riscos relacionados à rentabilidade dos investimentos em IA continuam no radar. A principal preocupação é se o ciclo de aportes bilionários em infraestrutura e tecnologia será capaz de gerar retornos suficientes para justificar as expectativas elevadas do mercado.
Gass cita a Meta como exemplo. Embora a companhia tenha apresentado receita acima das expectativas, o resultado foi sustentado principalmente pelo Facebook e pelas receitas de publicidade, enquanto os investimentos relacionados à IA ainda não estariam gerando os retornos esperados. "Por isso a ação caiu intensamente. A tensão do mercado é sobre o questionamento da rentabilidade desse setor de IA", disse.
Na visão do analista, o nível de expectativa em torno de empresas como a Nvidia torna qualquer resultado apenas em linha com as projeções um problema para as ações. "É uma empresa que precisa sempre trazer números extraordinários", afirmou.
Além das perspectivas sobre a IA, o mercado também tem no radar o simpósio de Jackson Hole, que, segundo Gass, terá um peso diferente neste ano devido à estreia de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve (Fed). O banco central americano deixou de oferecer parte do guidance que era comum anteriormente, aumentando a importância do discurso de Warsh para a formação das expectativas dos investidores. "O conteúdo informacional do discurso de amanhã será maior", avaliou.
Atualmente, o mercado precifica cerca de um terço de chance de uma alta de juros na reunião do Fed em setembro, segundo Gass. O cenário contrasta com a perspectiva para o Brasil. Enquanto os investidores esperam mais um corte da Selic por aqui, nos Estados Unidos existe a possibilidade de elevação dos juros, "uma inversão relevante em relação ao cenário observado um ano atrás", indica o especialista.