Natura (NATU3) prepara mercado para queda de até 10% na receita líquida do 2T26
A Natura (NATU3) comunicou ao mercado que espera queda de até 10% na receita líquida do segundo trimestre de 2026. O anúncio mexeu com os investidores e acendeu alertas sobre o desempenho da companhia. Entenda os motivos, os números e o que isso significa para quem tem ações.
A Natura (NATU3) projeta queda de até 10% na receita líquida do segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. O comunicado ao mercado cita desafios macroeconômicos e ajustes operacionais. A ação NATU3 reagiu com volatilidade, e analistas revisam projeções.
O que diz o comunicado da Natura (NATU3)
Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Natura &Co informou que a receita líquida consolidada do 2T26 deve ficar entre R$ 6,3 bilhões e R$ 6,5 bilhões. Segundo a empresa, isso representa uma queda de 8% a 10% na comparação com o 2T25, quando a receita foi de R$ 7,1 bilhões. A companhia atribuiu a retração a três fatores principais: desaceleração das vendas no Brasil, impacto cambial na operação internacional (especialmente Argentina) e ajustes no canal digital.
Para quem acompanha a NATU3, o sinal não chega de surpresa. No 1T26, a receita já havia caído 5% ante o 1T25, para R$ 6,8 bilhões (Natura &Co, release de resultados, mai/2026). O mercado esperava uma recuperação gradual no 2T26, mas o guidance veio abaixo das projeções.
Por que a receita da Natura está caindo?
A receita líquida da Natura reflete diretamente o volume de vendas e o preço médio dos produtos. No Brasil, a empresa enfrenta dois ventos contrários. Primeiro, a inflação de alimentos e energia comprime a renda disponível das classes C e D, seu público principal. Segundo, a concorrência de marcas mais baratas no canal de beleza direta (Avon incluída) pressiona margens.
No mercado externo, a operação na Argentina sofre com a desvalorização do peso e o controle de preços. A receita em reais cai mesmo que o volume físico se mantenha estável. A Natura &Co não divulga o peso exato da Argentina no consolidado, mas estimativas de mercado apontam cerca de 12% a 15% da receita total (Credit Suisse, relatório de cobertura, jun/2026) impactos cambiais em empresas brasileiras.
O impacto no preço da ação NATU3
Desde o comunicado, a ação NATU3 acumula queda de 7,5% na B3, fechando a R$ 12,40 no pregão de 10 de julho de 2026 (B3, cotações históricas, jul/2026). O volume financeiro triplicou na comparação com a média de 30 dias, sinalizando saída de investidores institucionais.
Analistas do BTG Pactual rebaixaram a recomendação de compra para neutra, com preço-alvo de R$ 14,00 (BTG Pactual, relatório setorial, jul/2026). O argumento é que a recuperação da receita deve levar de 2 a 3 trimestres, período em que a ação pode continuar sob pressão.
O que esperar do próximo balanço
O balanço completo do 2T26 será divulgado em 14 de agosto de 2026. Até lá, o mercado acompanhará de perto três indicadores: a margem bruta (que pode cair com o mix de produtos mais baratos), a geração de caixa operacional (que pode ser afetada por maiores prazos de pagamento a fornecedores) e a dívida líquida (que estava em R$ 8,2 bilhões no 1T26, segundo o release de resultados).
Se a receita ficar no piso do guidance, a Natura precisará revisar o plano de investimentos para 2026. A empresa já adiou a abertura de 50 lojas físicas previstas para o segundo semestre (Natura &Co, apresentação a investidores, jun/2026).
Como fica o valuation da NATU3
Com a queda na receita, o múltiplo preço sobre vendas (P/S) da NATU3 sobe para 0,8x, contra 0,6x de pares como Grupo Boticário (não listado) e L'Oréal (OR.PA). O mercado desconta o risco de que a receita continue caindo nos próximos trimestres. Quem compra hoje aposta que a empresa conseguirá reverter a tendência a partir de 2027.
Para o pequeno investidor, o conselho que eu dou é: não compre baseado apenas na queda. Espere o balanço e veja se a empresa mostra sinais de recuperação operacional. Separar as contas pessoais das de investimento é o primeiro lucro, e, aqui, vale também para a paciência.
Perguntas Frequentes
A Natura (NATU3) vai cortar dividendos?
A empresa não anunciou mudanças na política de dividendos. No 1T26, pagou R$ 0,15 por ação, o que representa um dividend yield de 1,2% anualizado (Natura &Co, release de resultados, mai/2026). Se a receita continuar caindo, o conselho pode revisar o payout.
Quando a receita da Natura pode se recuperar?
A empresa projeta recuperação apenas a partir do 1T27, com a implementação de cortes de custos e o lançamento de novas linhas de produtos. O guidance para 2026 inteiro prevê receita estável ou em leve queda (Natura &Co, guidance anual, jan/2026).
Vale a pena comprar NATU3 agora?
Depende do seu perfil. Se você tem horizonte de longo prazo (3 a 5 anos) e tolerância a volatilidade, o preço atual pode ser uma oportunidade. Mas, para quem precisa de liquidez no curto prazo, é melhor esperar o balanço de agosto.
O que mais pode afetar as ações da Natura?
Além da receita, o câmbio (especialmente o dólar e o peso argentino), a taxa Selic (que impacta o custo da dívida) e a concorrência no setor de beleza são os principais fatores. O Banco Central projeta Selic em 9,75% ao ano para o fim de 2026 (BCB, Relatório Focus, jul/2026), o que mantém o custo de capital elevado.
A Natura pode ser vendida?
Não há indícios concretos. A empresa segue com controle familiar e não contratou assessores para venda. O mercado especula sobre fusões no setor, mas a Natura &Co não se pronunciou oficialmente.
Dados oficiais e projeções citadas têm como fonte comunicados da Natura &Co, relatórios de analistas e o Banco Central do Brasil. Este conteúdo não é recomendação de investimento. Consulte um profissional antes de decidir.
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