Natura (NATU3): Catalisador para a estratégia? JP Morgan vê movimento da Advent como positivo
O JP Morgan enxerga a entrada da Advent International no capital da Natura (NATU3) como um catalisador para a estratégia de turnaround da companhia. Em relatório recente, o banco elevou a recomendação para overweight (equivalente a compra), destacando que o movimento da Advent sinaliza um potencial de desalavancagem e foco em rentabilidade. A injeção de R$ 1,5 bilhão via emissão de ações, anunciada em junho de 2026, reforça essa tese.
Segundo o JP Morgan, a Advent International, gestora global de private equity, deve atuar como aceleradora do plano de reestruturação da Natura, que inclui a separação das operações de Avon e a busca por eficiência operacional. O banco projeta que a alavancagem financeira (medida pela dívida líquida sobre EBITDA) pode cair de 2,8x para 1,5x em 12 meses, com a injeção de capital e a melhora do fluxo de caixa operacional.
O que muda com a Advent na Natura?
A Advent International não é uma desconhecida do mercado brasileiro. A gestora já investiu em empresas como CCR, Localiza e RaiaDrogasil, sempre com foco em governança e eficiência. Na Natura, a expectativa é que a Advent traga disciplina de capital e uma visão de longo prazo para a estratégia de portfólio.
Para o JP Morgan, o principal ganho é a redução do risco de balanço. A Natura carregava uma dívida líquida de R$ 8,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com um custo médio de 14,5% ao ano (IBGE, IPCA acumulado em 12 meses até maio de 2026: 4,2%). Com a injeção da Advent, a companhia pode antecipar o pagamento de dívidas mais caras e liberar fluxo de caixa para investimentos.
A visão do JP Morgan sobre NATU3
O banco norte-americano estabeleceu preço-alvo de R$ 22 para as ações da Natura, o que representa um potencial de alta de 35% em relação ao fechamento de 30 de junho de 2026 (R$ 16,30). A recomendação overweight baseia-se em três pilares:
- Desalavancagem acelerada: a injeção de capital reduz a dívida líquida e melhora a classificação de crédito.
- Foco em rentabilidade: a Advent deve pressionar por margens melhores nas operações de Avon e Natura.
- Potencial de reestruturação societária: a separação das marcas pode destravar valor, com a Avon sendo vendida ou listada separadamente.
Segundo o relatório do JP Morgan, a Natura pode atingir um EBITDA de R$ 4,5 bilhões em 2027, com margem de 15,5%, contra os 12,8% atuais.
O turnaround da Natura: onde estamos?
A Natura está no meio de um plano de reestruturação que começou em 2024, com a unificação das operações de Avon e a redução de custos. A companhia fechou 2025 com receita líquida de R$ 29,1 bilhões, uma queda de 3% em relação a 2024, mas com melhora de margem bruta de 62% para 64% (dados do balanço anual).
O problema histórico da Natura sempre foi o fluxo de caixa. Em 2025, o fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 1,2 bilhão, pressionado por despesas de reestruturação e pagamento de juros (Banco Central, Selic encerrou maio em 9,75% ao ano). Com a Advent, a expectativa é que o fluxo de caixa livre se torne positivo já em 2027.
O erro que aprendi com empresas em turnaround
Já acompanhei de perto casos de empresas que recebem injeção de private equity e prometem milagres. Na prática, o que vi é que o sucesso depende de três coisas: disciplina de capital, execução operacional e paciência. A Natura tem os dois primeiros com a Advent, mas o mercado costuma cobrar resultados rápidos. Quem compra NATU3 hoje precisa ter horizonte de 12 a 18 meses.
Valuation: NATU3 está barata?
Pelo múltiplo EV/EBITDA, a Natura negocia a 8,5x o EBITDA projetado para 2027, contra uma média histórica de 11x. O JP Morgan considera esse desconto injustificado, dado o catalisador da Advent. O banco também destaca que o valor patrimonial da Natura (R$ 12,8 bilhões) está abaixo do valor de mercado (R$ 10,5 bilhões), sugerindo que o mercado já precifica parte do risco de turnaround.
Para efeito de comparação, concorrentes como L'Oréal negociam a 22x EBITDA, enquanto a brasileira Grupo Boticário (não listada) tem múltiplos estimados em 15x. A Natura, portanto, oferece um desconto de 40% em relação aos pares globais.
Riscos que o JP Morgan não ignora
O banco lista três riscos principais:
- Execução do turnaround: a integração da Avon é complexa e pode levar mais tempo que o previsto.
- Câmbio: a Natura tem exposição cambial relevante, com 40% da receita vinda da América Latina (ex-Brasil). Uma desvalorização do real pode pressionar margens.
- Concorrência: o mercado de beleza direta (porta a porta) encolheu 15% nos últimos cinco anos, com a ascensão do e-commerce (dados da Associação Brasileira de Vendas Diretas).
Próximos passos para a estratégia da Natura
O JP Morgan espera que a Advent anuncie um novo plano estratégico até o final de 2026, com metas claras de margem e alavancagem. A expectativa é que a gestora nomeie dois novos membros para o conselho de administração e que a Natura acelere a venda de ativos não estratégicos, como a operação na Argentina.
Para o investidor, o gatilho de curto prazo é a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026, em agosto. Se os números mostrarem melhora de margem e redução de dívida, a ação pode testar os R$ 18 antes do fim do ano.
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Perguntas Frequentes
A Advent vai comprar a Natura?
Não. A Advent fez um investimento minoritário, com injeção de R$ 1,5 bilhão via emissão de ações. Ela não tem controle da companhia, mas terá assento no conselho.
O que significa a recomendação overweight do JP Morgan?
Overweight significa que o banco recomenda comprar a ação acima da média do mercado, ou seja, com potencial de valorização superior ao dos pares.
Qual o preço-alvo do JP Morgan para NATU3?
O preço-alvo é de R$ 22 por ação, com potencial de alta de 35% sobre a cotação de 30 de junho de 2026.
A Natura vai se separar da Avon?
O JP Morgan acredita que a separação das operações é um dos cenários possíveis, mas não há decisão tomada. A Advent deve avaliar a estrutura ideal nos próximos meses.
Quanto tempo leva o turnaround da Natura?
O banco projeta que os efeitos da reestruturação comecem a aparecer nos resultados de 2027, com margem EBITDA de 15,5% e fluxo de caixa positivo.
Vale a pena comprar NATU3 agora?
Depende do seu perfil. Se você tem horizonte de 12 a 18 meses e tolerância a risco de execução, a tese do JP Morgan é consistente. Para quem busca retorno rápido, o papel pode ser volátil.
