As ações da Natura (NATU3) abriram o pregão desta segunda-feira (31) em disparada, com avanço de 8% na primeira meia hora de negociação. O mercado reage ao anúncio de troca no comando da empresa, após João Paulo Ferreira ter ocupado o cargo por uma década. Por volta de 10h40 (horário de Brasília), os papéis subiam 7,21%, cotados a R$ 9,37.
Nesta manhã, a companhia informou a eleição de Alessandro Carlucci como novo diretor-presidente, que assume em 1º de outubro de 2026. Carlucci já foi CEO da Natura entre 2005 e 2014. Para recompor a presidência do conselho, foi eleito Fábio Barbosa, membro do conselho consultivo e que liderou anteriormente a estruturação da reorganização de capital da Natura.
Na leitura do JP Morgan, o anúncio representa uma renovação da liderança, com foco no fortalecimento da execução, e não uma mudança de estratégia. O banco destaca que a Natura traz de volta um executivo experiente, que já liderou a companhia durante um ciclo anterior de expansão e que, como presidente do conselho, manteve-se próximo do negócio. O retorno de Fábio Barbosa à presidência do conselho adiciona continuidade e disciplina financeira, considerando seu papel na condução da recuperação financeira e na reorganização da estrutura de capital.
A transição também levanta questões sobre o planejamento sucessório, uma vez que a Natura volta a recorrer a ex-líderes seniores com profundo conhecimento institucional, pondera o banco. "Embora isso deva dar suporte à continuidade e reduzir os riscos de execução no curto prazo, os investidores também podem receber bem, ao longo do tempo, uma maior clareza sobre o pipeline de liderança mais amplo da companhia e seus planos de governança de longo prazo", avaliam os analistas.
Com a ação negociando a 8 vezes o P/L (preço sobre o lucro) estimado para 2027, o JP Morgan tem classificação Overweight (equivalente à compra) para Natura. O movimento ocorre em um momento de desempenho ruim para a empresa de cosméticos. No segundo trimestre de 2026, a Natura reportou lucro líquido de R$ 35 milhões, resultado 82% menor na comparação com o mesmo período em 2025.
Em teleconferência de resultados, João Paulo Ferreira reconheceu que os números do trimestre frustraram as expectativas devido à queda acentuada da receita no Brasil, impactada pelo cenário macroeconômico sobre a renda disponível, além de problemas relacionados à disponibilidade de produtos. "As dificuldades operacionais no Brasil superaram nossas expectativas", afirmou. "Reconhecemos, contudo, que grande parte dos problemas desse trimestre são internos, operacionais e fundamentalmente autoimpostos", completou. A escassez de produtos é apontada como um dos fatores, com estresse causado pela indisponibilidade e parada da operação, mesmo com implementação tida como bem-sucedida do sistema SAP. Há ainda novas políticas comerciais nos canais D2C (direto ao consumidor) e efeito tributário temporário na receita.
Do ponto de vista de risco, o investidor precisa pesar o histórico recente de execução antes de ler a alta como sinal de virada. A troca de comando reduz incerteza no curto prazo, mas não resolve, por si só, os problemas operacionais citados no balanço. Quem acompanha a tese deve monitorar os próximos balanços para verificar se a nova liderança consegue reverter a queda de receita no Brasil. Não se trata de recomendação de compra ou venda; cada decisão depende do seu horizonte e da sua tolerância a risco. Investir é maratona, não corrida. análise fundamentalista de ações