# MRV (MRVE3): Santander corta preço-alvo e mantém compra; entenda

> MRV (MRVE3) teve preço-alvo reduzido pelo Santander de R$ 12,80 para R$ 10,70, com recomendação de compra mantida. O ajuste reflete perdas esperadas na operação americana Resia. Investidores devem considerar o impacto negativo da unidade nos EUA sobre as projeções da construtora brasileira.

*Viva Capital · Investimentos · 22 de julho de 2026 · Henrique Salomão*

O Santander cortou o preço-alvo das ações da MRV&Co (MRVE3) de R$ 12,80 para R$ 10,70, mas manteve a recomendação de compra. O motivo principal são as perdas esperadas com a operação americana Resia. Entenda os detalhes e o impacto para quem investe.

## MRV (MRVE3): Santander corta preço-alvo e mantém compra; entenda

O Santander reduziu o preço-alvo das ações da MRV&Co (MRVE3) de R$ 12,80 para R$ 10,70, mas manteve a recomendação de compra (outperform). O principal motivo foi a expectativa de novas perdas com a operação americana Resia. Mesmo com o corte, o novo preço-alvo ainda representa um potencial de valorização de cerca de 133% sobre a cotação atual de R$ 4,59.

## Por que o Santander cortou o preço-alvo da MRV (MRVE3)?

A decisão do banco veio após uma revisão mais conservadora para a companhia. O principal motivo, segundo o Santander, foi a expectativa de novas perdas relacionadas à Resia, a marca da MRV&Co nos Estados Unidos. O ajuste também reflete os resultados do primeiro trimestre (1T26), a prévia operacional do segundo trimestre (2T26) e novas premissas macroeconômicas.

## Qual o impacto das perdas da Resia?

A Resia continua sendo o principal fator de risco para a tese de investimento. O Santander elevou sua projeção de prejuízo da subsidiária para US$ 229,7 milhões em 2026, contra apenas US$ 11,7 milhões previstos anteriormente. O salto é grande porque o banco mudou sua visão sobre quanto a subsidiária ainda perderá na venda dos seus imóveis, pressionada pelos juros elevados nos EUA.

A mudança de visão ocorreu após a venda dos empreendimentos Rayzor Ranch e Ten Oaks, em junho, por US$ 139 milhões (equivalente a R$ 716 milhões). Segundo o Santander, esses dois ativos foram negociados com desconto de 26% em relação ao valor contábil, indicando que outros também podem precisar ser alienados com deságios semelhantes.

## E a operação no Brasil?

Quanto à operação no Brasil, o Santander afirmou que abril e maio apresentaram bom desempenho de vendas, enquanto junho foi prejudicado pela Copa do Mundo e por critérios mais restritivos da Caixa Econômica Federal na concessão de crédito imobiliário. No entanto, após reunião com o diretor de Relações com Investidores da MRV, Augusto Andrade, os analistas destacaram que a situação já foi normalizada e que a comercialização voltou ao ritmo esperado.

## Quais as novas projeções para o lucro e margem?

Agora, o banco espera um prejuízo líquido de R$ 727 milhões para o grupo no acumulado de 2026, contra uma estimativa de R$ 562 milhões anteriormente. Já para 2027 a expectativa é de lucro líquido de R$ 721 milhões, cerca de 29% abaixo do cálculo anterior.

Os analistas também reduziram a projeção de margem bruta da MRV Incorporação, marca voltada ao Minha Casa, Minha Vida (MCMV), para 31,4% em 2026 e 32,8% em 2027, contra 32,2% e 33,9%, respectivamente, refletindo uma recuperação mais lenta do que o esperado. Como consequência, a estimativa de lucro da divisão brasileira caiu para R$ 483 milhões este ano e R$ 823 milhões no próximo, cortes de 43% e 24%.

## O que esperar da Resia daqui para frente?

A expectativa do Santander é de que a companhia venda os ativos remanescentes da operação americana até o fim de 2026, permitindo que a subsidiária seja classificada como uma descontinuada e deixe de impactar os resultados consolidados. Dois projetos da marca, o Memorial e o Golden Glades, devem ser alienados ainda este ano, enquanto o restante do portfólio deve ser monetizado ao longo de 2027.

## Por que o Santander manteve a recomendação de compra?

Mesmo revisando para baixo suas projeções, o Santander entende que a tese de investimento em MRV&Co permanece interessante. Na avaliação do banco, a operação brasileira está praticamente recuperada, enquanto os ativos que mais pressionavam os resultados, especialmente a Resia, devem perder relevância à medida que forem vendidos.

Além disso, os analistas ressaltam que a ação MRVE3 negocia a apenas 3,5 vezes o múltiplo preço sobre lucro (P/L) estimado para 2027, um patamar considerado atrativo. O banco destaca que o papel ainda negocia a níveis "bastante descontados".

"A trajetória da MRV&Co está agora mais clara, visto que seu negócio principal está quase totalmente recuperado, enquanto a Luggo e a Resia, que pressionavam e distorciam os resultados, agora têm relevância muito menor."

análise de ações da MRV impacto de juros altos no setor imobiliário

## Perguntas Frequentes

### O Santander recomenda comprar MRVE3?

Sim, o Santander manteve a recomendação outperform (equivalente a compra), mesmo após cortar o preço-alvo.

### Qual o novo preço-alvo da MRV pelo Santander?

O banco reduziu o preço-alvo de R$ 12,80 para R$ 10,70.

### Qual o potencial de valorização da ação?

O novo preço-alvo representa um potencial de valorização (upside) de aproximadamente 133% sobre a cotação atual de R$ 4,59.

### Por que a Resia é um problema para a MRV?

A Resia, operação americana da MRV&Co, continua gerando perdas devido aos juros elevados nos EUA, que reduzem o valor dos imóveis na venda.

### Quando a Resia deve deixar de impactar os resultados?

A expectativa do Santander é que a companhia venda os ativos remanescentes até o fim de 2026, e o restante do portfólio até 2027.

---

Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/investimentos/mrv-mrve3-levou-santander-cortar-preco-alvo-manter-recomendacao-compra/
