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Juros futuros avançam de olho no quadro eleitoral

ResumoA curva de juros futuros registrou alta em todos os vencimentos nesta sexta-feira (11), refletindo a redução de posições de risco pelo mercado diante da cautela com o cenário eleitoral e com o caso Master no Supremo Tribunal Federal. O movimento ocorreu em meio à maior aversão a risco nos mercados domésticos.

A curva de juros futuros avançou em todos os vencimentos nesta sexta-feira (11), com o mercado reduzindo posições de risco diante da cautela sobre o cenário eleitoral e o caso Master no STF.

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Juros futuros avançam de olho no quadro eleitoral
Foto: Viva Capital · Juros futuros avançam de olho no quadro eleitoral · 12 set 2026

A curva de juros futuros avançou em todos os vencimentos nesta sexta-feira (11), de olho nos desdobramentos do cenário eleitoral doméstico. Até o meio da tarde, as taxas recuavam em todos os vértices, sob influência do IPCA de agosto, que veio com deflação e moderação em serviços e núcleos. O restante da sessão, porém, foi marcado por redução de posições de risco, diante da cautela sobre notícias que possam enfraquecer a candidatura da oposição nas eleições presidenciais.

A taxa do DI para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, encerrou a 13,586%, ante 13,585% do fechamento anterior, perto da estabilidade. O DI para janeiro de 2029, de médio prazo, terminou em 13,835%, ante 13,831%, alta de 0,4 ponto-base. Já o DI para janeiro de 2036, de longo prazo, subiu 4 pontos-base e fechou a 14,160%, ante 14,120% da última sexta-feira (10).

O prazo de 24 horas dado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, para que o ministro André Mendonça remova todo o sigilo sobre o caso Master provocou uma fuga ao risco, inverteu o sinal negativo e impulsionou máximas intradia em todos os vencimentos por volta das 15 horas. A alta perdeu fôlego com o passar da sessão. Mendonça tornou parte do processo público na noite da quinta, mas manteve sob sigilo a investigação sobre o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro por suspeitas sobre o financiamento do filme Dark Horse com recursos do ex-controlador do banco Master, Daniel Vorcaro. Com a leitura de que possíveis revelações possam ocorrer no fim de semana, o tom de cautela prevaleceu.

O economista-chefe do grupo CVPAR, Marcelo Fonseca, avalia que talvez o mercado tenha exagerado no posicionamento favorável a risco nos últimos dias. "Depois de vários dias de melhora, houve uma redução natural de risco", disse, acrescentando que o movimento costuma ocorrer às vésperas de finais de semana. Para Fonseca, a eleição ainda está em aberto. Ele menciona que, na plataforma de apostas Polymarket, o candidato da oposição figura com 52% de chance de vitória, dez pontos porcentuais à frente de Lula.

O economista ainda destaca que a sessão extraordinária do STF da próxima terça-feira, 15, pode ser um divisor de águas para a disputa presidencial. A sessão tratará do procedimento no qual Mendonça tornou públicas, em 1º de setembro, as conversas suspeitas entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro. "Tenho dificuldade de ver um cenário que seja bom para o incumbente", afirmou, lembrando que parte do eleitorado associa a imagem do governo atual à do STF, especialmente a Moraes.

Antes da crise da Corte se impor sobre os negócios, a curva cedia com a publicação do IPCA de agosto. O dado mostrou recuo de 0,32% da inflação, a maior queda desde igual mês de 2022 (-0,36%), e mais intensa do que a mediana de -0,29% do Projeções Broadcast. Embora a variação negativa tenha sido puxada principalmente pelo bônus de Itaipu e por alimentos, economistas destacaram a moderação de núcleos e serviços como bons sinais.

Para o economista-chefe para Brasil do Barclays, Roberto Secemski, o Banco Central deve reduzir a Selic em 0,25 ponto na próxima quarta-feira, a 13,75%, patamar em que a taxa deve terminar o ano. Ele aponta que, após dados mais fracos do que o esperado no PIB do segundo trimestre e leituras de núcleo de inflação relativamente benignas no curto prazo, há chance crescente de que cortes adicionais de 25 pontos-base se materializem nas próximas reuniões do Copom.

Nos Estados Unidos, o CPI do mês passado, também conhecido nesta sexta, subiu 0,4% em agosto ante julho e 3,4% na comparação anual, em linha com as expectativas. O número reforçou apostas de alta dos juros pelo Federal Reserve na próxima semana. O yield do Treasury de dois anos operava a 4,630%, ante 4,550% do ajuste anterior, por volta de 18h05 (horário de Brasília). O retorno do título de 10 anos, referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, subia para 4,944%, de 4,971% da última sexta-feira.

Para quem tem dívida indexada ao DI ou financiamento com taxa pós-fixada, a alta de longo prazo não é detalhe: ela encarece o custo do crédito e reduz o espaço para renegociar. O movimento de sexta não é um veredito, é um sinal de que o mercado está precificando incerteza. como a Selic afeta seu financiamento

“A curva de juros futuros avançou em todos os vencimentos nesta sexta-feira (11), com o mercado reduzindo posições de risco diante da cautela sobre o cenário eleitoral e o caso Master no STF.”
Adriana Buarque · Editor(a) Investimentos · Viva Capital PRO
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