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Investidor local volta à Bolsa e estrangeiro reduz saída; veja setores

ResumoO investidor local retomou aportes na Bolsa brasileira em outubro, priorizando setores defensivos como elétricas e saneamento. O estrangeiro reduziu o ritmo de saída de capital, mas permanece cauteloso com o cenário fiscal. A preferência doméstica concentra-se em ações de dividendos e utilidades públicas, enquanto a preocupação central segue a trajetória da dívida pública e a política monetária.

O investidor local voltou a colocar dinheiro na Bolsa, mas sem grandes riscos. Estrangeiro reduz ritmo de saída. Veja os setores preferidos e as preocupações.

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Investidor local volta à Bolsa e estrangeiro reduz saída; veja setores
Foto: Viva Capital · Investidor local volta à Bolsa e estrangeiro reduz saída; veja setores · 01 set 2026

O investidor local começou a colocar o caixa para trabalhar na Bolsa brasileira, mas ainda sem disposição para assumir grandes riscos. É o que aponta o Itaú BBA em relatório baseado em conversas recentes com gestores de fundos.

A melhora do sentimento ocorre em meio a valuations mais descontados, inflação mais favorável e expectativa de continuidade da queda dos juros. O banco espera um corte de 0,25 ponto percentual na Selic neste mês, levando a taxa a 13,75% no fim de 2026.

O movimento ainda é seletivo. Entre as preferências dos investidores estão empresas domésticas de qualidade, utilities, exportadoras e incorporadoras voltadas à baixa renda. Já companhias de consumo, negócios mais dependentes do ciclo econômico e do crédito continuam fora do radar.

O fluxo estrangeiro, que vinha pressionando a Bolsa, também começou a dar sinais de alívio. O saldo líquido acumulado no ano, que chegou a R$ 69 bilhões em meados de abril, recuou para R$ 17,9 bilhões posteriormente. Mais recentemente, porém, o ritmo de saída diminuiu e o fluxo em uma janela de cinco dias chegou brevemente a ficar positivo.

Para o Itaú BBA, o posicionamento dos investidores continua relativamente leve. O indicador de sobrecompra e sobrevenda do banco mostrou o Ibovespa em território de sobrevenda abaixo dos 171 mil pontos em meados de agosto, nível que, historicamente, foi seguido por uma alta média de 5% nos oito períodos seguintes.

Ainda assim, o banco não recomenda correr para ações de alto beta. A estratégia é manter uma carteira equilibrada entre empresas domésticas de qualidade, exportadoras e ações defensivas, com fluxo de caixa previsível e características semelhantes às de títulos de renda fixa.

A melhora do humor não elimina as incertezas. Entre as principais preocupações dos gestores estão uma possível revisão para baixo das projeções de PIB de 2027, o ciclo de crédito e inadimplência, os efeitos do El Niño sobre o agronegócio e a inflação, e a evolução das eleições.

No exterior, as atenções estão concentradas nos próximos passos do Federal Reserve, nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e nos efeitos sobre dólar, crescimento global e fluxo de capital para mercados emergentes.

Apesar dos riscos, o Itaú BBA mantém o Brasil como overweight dentro da América Latina. A leitura é de que a combinação entre preços depreciados, menor pressão dos estrangeiros e expectativa de juros mais baixos começa a criar um ambiente mais favorável para ações, desde que a escolha dos papéis continue sendo seletiva.

Risco antes do retorno: o cenário mais benigno não elimina a necessidade de seleção criteriosa. Quem busca exposição à Bolsa agora precisa ter horizonte de longo prazo e tolerância a oscilações, pois o mercado ainda enfrenta incertezas fiscais e externas. Diversificação entre setores e posições defensivas, como empresas com fluxo de caixa previsível, pode reduzir a volatilidade da carteira. Este texto é informativo e não configura recomendação de investimento.

“O investidor local voltou a colocar dinheiro na Bolsa, mas sem grandes riscos. Estrangeiro reduz ritmo de saída. Veja os setores preferidos e as preocupações.”
Eduardo Tannous · Editor(a) Investimentos · Viva Capital PRO
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