O Ibovespa (IBOV) fechou em alta pelo nono pregão consecutivo nesta segunda-feira (31), destoando do exterior. O índice subiu 1%, aos 177.418,78 pontos, apoiado pela composição do índice, com peso relevante de commodities, e pela rotação de investidores para o mercado local. No mês, porém, o saldo foi levemente negativo: queda de 0,32%, com o fluxo estrangeiro sensível aos riscos fiscais e eleitorais.
O dólar à vista recuou 0,32%, a R$ 5,1801, mas acumulou alta de 2,16% em agosto. O DXY, índice do dólar global, caiu 0,39% no mesmo período.
As pesquisas eleitorais seguiram no radar. No levantamento AtlasIntel/Bloomberg, Lula (PT) aparece com 47,1% das intenções de voto contra 42,6% de Flávio Bolsonaro (PL), em cenário de segundo turno. A vantagem de 4,5 pontos porcentuais está acima da margem de erro de 1 ponto. Já na pesquisa BTG Pactual/Nexus, os dois aparecem tecnicamente empatados: 46% a 45%. Brancos, nulos e indecisos somam 9% nesse cenário.
A Petrobras (PETR4; PETR3) foi o motor do dia. PETR4 subiu 3,38%, a R$ 45,02, e PETR3 avançou 4,23%, a R$ 40,29, com o petróleo Brent acima dos US$ 90 o barril, alta de mais de 4% no exterior. O setor financeiro também ajudou: o Índice Financeiro (IFNC) ganhou 1,24%, com o Banco do Brasil (BBAS3) subindo 2,83%, a R$ 20,74. Já a Vale (VALE3), que responde por 11% do índice, caiu 0,42%, a R$ 78,58. Juntas, Vale, Petrobras e bancos somam cerca de 50% da carteira teórica do Ibovespa.
Na ponta positiva, a MRV (MRVE3) saltou 6,17%, a R$ 5,51, com o alívio nos juros futuros. Na negativa, a Embraer (EMBJ3) caiu 1,82%, a R$ 93,49, penalizada pela valorização do real. Em Wall Street, os índices fecharam em queda, com o petróleo reacendendo temores inflacionários. Na Europa, o Stoxx 600 recuou 0,62%; na Ásia, Nikkei caiu 0,14% e Hang Seng avançou 0,07%.
Para Gabriel Magno, sócio da AW Capital, a combinação de alta da Petrobras e leitura favorável das pesquisas para Flávio Bolsonaro sustentou o pregão: "Essa combinação fez com que o índice subisse mais de 1% hoje". O que fica para o investidor é observar se a nona alta seguida se sustenta com o petróleo acima de US$ 90 e a agenda eleitoral ganhando corpo.